O Copom divulgou a Ata da reunião de número 277, encerrada em 18 de março. O documento mantém tom firme e não aponta uma trajetória definida para os juros. Observa aumento da incerteza com a guerra no Irã e ressalta que as expectativas de inflação subiram após o início do conflito, permanecendo acima da meta em todos os horizontes.
A ata aponta que a incerteza externa elevou-se consideravelmente. Além do agravamento das tensões geopolíticas, surgiram dúvidas sobre a condução da política econômica dos EUA, o que intensificou a volatilidade esperada para o cenário brasileiro.
A atividade econômica doméstica continuou com moderação, segundo o Copom. Contudo, indicadores preliminares para o primeiro trimestre de 2026 sugerem uma retomada em relação ao fim de 2025, alinhada a uma variação positiva do PIB em 2026, ainda que menor que em 2025.
Dimensão externa e mercado de trabalho
O texto registra um novo risco na análise: o aquecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego tem se mantido em patamares baixos e os rendimentos reais têm crescido acima da produtividade do trabalho, o que exige aprofundamento da avaliação sobre a transmissão até os preços setoriais.
A ata não prevê corte de juros na próxima reunião. A principal conclusão é que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que o usual.
Não há indicação sobre a direção futura das próximas reuniões. A conclusão aponta para seguir com serenidade e coletar novas informações diante da elevada incerteza quanto à evolução dos componentes macro. A ata também ressalta que o ciclo de calibração será ajustado conforme surgirem novas informações.
A redução da Selic ocorreu, em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Contudo, o documento não traz forward guidance, deixando a magnitude e a duração do ciclo de calibração em definição ao longo do tempo, com as informações disponíveis.
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