O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que o conservadorismo da política monetária em 2025 devolveu ao BC uma margem para avaliar os efeitos da guerra no Oriente Médio. Ele explicou que o termo calibragem se refere a cortes de juros já previstos, e que há tempo para entender os impactos da ofensiva entre EUA, Israel e Irã sobre a economia brasileira.
Segundo Galípolo, essa postura tem fortalecido a percepção de que choques de oferta, como o aumento na pauta petrolífera, elevam a inflação e reduzem a atividade. O BC tem observado um cenário de maior volatilidade e incerteza, o que amplia o intervalo de projeção utilizado pela instituição.
O presidente ressaltou que o Brasil, também exportador de petróleo, pode colher efeitos diferentes conforme o conflito evolui. Ele destacou que o BC ganhou tempo para analisar desdobramentos sem adiantar decisões, mantendo cautela no balanço de riscos.
Ainda durante a coletiva, Galípolo mencionou um episódio envolvendo servidores do BC em apurações sobre o Banco Master, afirmando que gerou consternação interna e um processo de luto. O tema não alterou a política monetária, segundo ele.
O chefe do BC defendeu a aprovação da autonomia financeira da autoridade monetária e de uma resolução bancária que ampliaria instrumentos de atuação. Ele sinalizou apoio a propostas que fortaleçam a capacidade de resposta institucional.
Intervenções no câmbio seguem orientação de sempre
Galípolo afirmou que as ações no mercado de câmbio seguem a orientação habitual, com o Tesouro definindo as operações em títulos públicos. Desde o início da ofensiva na região, o BC realizou operações de venda de dólares à vista e leilões de linha para reduzir impactos da guerra.
Na tarde desta quinta, o BC confirmou a realização de dois novos leilões de linha. O objetivo das intervenções é reduzir disfunções de mercado geradas pela maior volatilidade causada pelo conflito.
O BC reforçou que a atuação no câmbio tem como finalidade corrigir assimetrias de mercado e manter a liquidez. O Tesouro, por sua vez, continua responsável pela condução dos leilões de títulos públicos, conforme a prática institucional.
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