O IPCA-15 de março mostrou alta de 0,44% ante fevereiro, segundo avaliação preliminar. O resultado ficou acima da variação esperada pelo mercado, puxado pelos grupos alimentação e bebida, com 0,88%, além de despesas pessoais e transportes.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 3,90%, consolidando trajetória de queda frente a períodos anteriores. No 1º trimestre de 2026, o índice acumulou alta de 1,49%, com educação e saúde registrando as maiores variações nesses três meses.
Segundo o economista Ricardo Buso, a desaceleração prevista para 2026 pode não se confirmar por causa da guerra no Oriente Médio. Ele cita a decisão do Copom de abandonar a sinalização de corte da Selic como indicativo de maior cautela para a política monetária.
Como o IPCA-15 é apenas uma prévia do período de 15 dias, o especialista ressalta que o resultado ainda não capta impactos da alta de combustíveis decorrentes do conflito. A divulgação do IPCA oficial pode apresentar um cenário mais robusto de inflação.
Buso alerta que o resultado mais forte no IPCA-15 pode pressionar a inflação mensal oficial e exigir reação do Banco Central. Caso haja trajetória elevada, a redução de juros fica mais complexa para ser viabilizada.
Ele reforça que o mercado deve acompanhar o IPCA recente para confirmar o efeito da guerra sobre a inflação. A continuidade desse movimento pode influenciar a condução da política monetária nos próximos meses.
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