O relatório do McKinsey Global Institute, divulgado este mês, analisa a guerra comercial de 2024 e seu impacto. Apesar das tarifas em níveis inéditos desde a Segunda Guerra, o comércio global cresceu junto com a economia mundial. Importações dos EUA e exportações da China atingiram recordes.
O estudo mostra que o leilão de tarifas alterou fluxos, mas não provocou o colapso do comércio. Houve queda de quase 30% no comércio entre EUA e China e perda de cerca de US$ 130 bilhões nas exportações chinesas para o país, segundo Tiago Devesa, um dos autores.
A maior mudança ocorreu nas relações entre EUA e China, com a intensificação de compras em outras regiões. Países do Sudeste Asiático cresceram em participação, especialmente Vietnã, Tailândia e Malásia, absorvendo cadeias de suprimentos deslocadas da China.
Enquanto isso, a Índia assumiu papel relevante, ampliando exportações de smartphones para os EUA, mesmo com a redução nas compras chinesas. O déficit da balança dos EUA com a China caiu, mas o redirecionamento deslocou déficits para Vietnã e Taiwan, aponta o estudo.
No agregado, o comércio relacionado a inteligência artificial ganhou força, impulsionando o crescimento global. Chips, servidores e equipamentos de rede passaram a responder por boa parte das vendas, com forte demanda acelerada por grandes empresas de tecnologia.
O relatório também analisa o papel da União Europeia, que sofreu aperto com a desaceleração de exportações, aumento de importações da China e menor superávit com os EUA. Os setores automotivo e de componentes foram os mais impactados.
A UE passou a buscar diversificação de parceiros, com acordos recentes. Em janeiro, pactos com a Índia e o Mercosul foram anunciados, além de um acordo com a Austrália, buscando reduzir a dependência de Washington e Pequim.
Devesa ressalta que o crescimento impulsionado pela IA tende a sustentar padrões de comércio por anos, mesmo diante de mudanças políticas. As negociações com Mercosul e Índia são vistas como movimento estratégico de longo prazo.
Observa-se que os acordos com Mercosul e Índia representam menos de 8% do comércio externo da UE hoje, exigindo tempo para ampliar participação. As medidas são descritas como políticas de seguro de longo prazo, não remédios imediatos.
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