A indústria de criptomoedas concentrou-se nos últimos 15 anos em permitir que usuários comuns realizem pagamentos com crypto, enfrentando memorizar frases de recuperação e gerenciar riscos de forma direta. Hoje, o debate é se o ecossistema foi desenhado para máquinas, não pessoas, com agentes automatizados como usuários ideais.
Defensores afirmam que agentes de IA poderiam operar sem interfaces complicadas, sem medo de perder credenciais e sem mediação humana. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, sinalizou que haveria mais transações por IA do que por humanos, destacando o potencial de IA-first na empresa.
A tese ganha força em um setor que observa a capacidade de transferir recursos de forma global, instantânea e sem permissão. A ideia é ampliar a participação de agentes de IA no ecossistema cripto, afetando investimentos e desenvolvimento de produtos.
Inovação em pagamentos agentivos
A McKinsey projeta que agentes de IA intermediarão entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em comércio de consumo até 2030. O mercado cripto, estimado em US$ 2,4 trilhões, seria impactado por essa nova classe de usuários.
Diversas empresas já investem nessa direção. A Tempo, startup de Huang, trabalha com pagamentos para agentes; Justin Sun descreve o movimento como Web 4.0. MoonPay reformula IA para interface de pagamentos, adotando agentes como mediadores de operações.
O padrão x402, criado pela Coinbase, facilita pagamentos por uso direto por agentes. A ideia é substituir várias chaves de API por uma carteira universal. Desde 2025, assistentes de IA já realizam milhões de transações nesse modelo, com pagamentos típicos entre US$ 0,20 e US$ 0,40.
Ecossistema e desafios
Por enquanto, o uso é majoritariamente por desenvolvedores. Em cerca de 107 milhões de transações já passaram pelo x402, somando US$ 30 milhões. O ecossistema já inclui 3.900 empresas, entre elas AWS, Alchemy e Messari.
Especialistas divergem sobre o ritmo de adoção. Haseeb Qureshi afirma que o otimismo é excessivo e que a transformação não ocorre de imediato. Outros apontam para a necessidade de credibilidade, regras de fraude e gestão de riscos, similares às do sistema tradicional.
Stablecoins ganham espaço como meio de pagamento para agentes, dada a viabilidade de valores pequenos. Circle desenvolve nanopagamentos com USDC sem taxas na Arc, apontando para uma nova dinamicão de custos no ecossistema.
Rumo a uma nova era de gestão de ativos
Além de pagar, agentes de IA poderiam investir e gerenciar carteiras tokenizadas, apoiados por ativos como fundos de BlackRock e Franklin Templeton. A transferência de riqueza intergeracional, estimada em trillhões de dólares, aumenta o interesse por soluções automatizadas.
No radar do setor, há quem veja espaço para colaboração com as redes de cartão tradicionais. Visa e Mastercard tendem a absorver inovações, não substituí-las, enquanto stablecoins podem facilitar operações transfronteiras com maior eficiência.
A MoonPay negocia financiamento e desenvolve o Open Wallet Standard para gerenciar recursos entre blockchains. Pesquisadores e executivos destacam a necessidade de infraestrutura, escalabilidade e interfaces adequadas para operadores IA, à medida que o ecossistema evolui.
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