Os Correios anunciaram, na terça-feira (24), a adoção gradual da escala 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, em setores específicos da empresa. A medida integra o Plano de Reestruturação da estatal e não será implementada de forma automática.
Segundo a empresa, a mudança ocorre conforme as necessidades do serviço, buscando modernizar fluxos operacionais e aumentar a eficiência na prestação dos serviços. A jornada flexível pretende ajustar turnos ao ritmo real da operação.
A iniciativa será aplicada principalmente em áreas que demandam funcionamento contínuo e maior agilidade na entrega, em virtude do crescimento do comércio eletrônico. A empresa afirma que a mudança reforça a competitividade no segmento de encomendas.
A Fentect, federação que representa trabalhadores, criticou a medida, apontando que ela precariza as condições de trabalho e aumenta a sobrecarga. Em redes sociais, a entidade orientou os trabalhadores a não assinar acordos individuais.
Os trabalhadores dizem que vão se mobilizar para evitar a nova escala, afirmando que existem direitos a proteger e que não há negociação com retirada de direitos. A mobilização é estudada para ocorrer em todo o país.
Plano de reestruturação
A reestruturação dos Correios envolve medidas para estabilizar a empresa, após diagnóstico apontar déficit acima de R$ 4 bilhões por ano e patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões. O plano também prevê fechamento de mil agências.
Como parte do ajuste financeiro, a companhia captou R$ 12 bilhões em crédito para financiar ações de reorganização. Também está prevista a venda de ativos, incluindo imóveis ociosos, e um Plano de Desligamento Voluntário com adesão prevista de até 15 mil funcionários.
Entre as ações recentes, a empresa realizou o primeiro leilão de imóveis próprios, com 21 imóveis ofertados para venda imediata, distribuídos por 11 estados. A medida visa levantar recursos para sustentar o programa de reestruturação.
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