A Associated Press (AP), maior agência de notícias do mundo, anunciou cortes que alcançam cerca de 5% de seus jornalistas. A medida faz parte de uma reestruturação do modelo de negócios da cooperativa de veículos de mídia, com foco em reduzir a cobertura hiper-local.
A AP não confirmou o número exato de demissões nem o quadro total de funcionários, mas estima-se que a equipe municipalize pouco mais de 3 mil profissionais, distribuídos em cerca de 250 birôs em 90 países. O corte impactaria aproximadamente 150 profissionais.
Segundo Julie Pace, editora executiva, em entrevista à Axios, os layoffs integram uma mudança mais ampla: reduzir a cobertura local e ampliar a cobertura nacional e em vídeo. A ideia é realinhar fontes de receita com a nova demanda do mercado.
Reestruturação e contexto financeiro
Fundada em 1846 para dividir custos de cobertura entre jornais locais, a AP opera sem fins lucrativos. Nos últimos anos, a fatia de jornais impressos na receita caiu para menos de 10%, após uma redução acumulada de 25% em quatro anos.
Em contrapartida, a receita oriunda de empresas digitais e de tecnologia — como plataformas de vídeo, IA e startups — cresceu perto de 200% no mesmo período. A AP passou a licenciar conteúdos para gigantes do setor, incluindo dados eleitorais, para treinar modelos.
A tendência de mudanças já se reflete em grandes veículos: USA Today e McClatchy anunciaram encerramento de assinaturas com a agência. Além disso, firmas como Google, OpenAI, Kalshi, Microsoft e Amazon passaram a licenciar conteúdos da AP.
Medidas adicionais e resposta
Pace afirma que as contas da AP estão estáveis e em posição de força financeira, com receitas estáveis. O corte de quadro, diz a executiva, decorre da transformação da demanda por cobertura.
O News Media Guild, sindicato dos jornalistas, criticou as demissões e disse que a AP pode oferecer treinamento para a força de trabalho. O sindicato acusa a empresa de recorrer a IA e de abrir mão de profissionais experientes sem capacitação adequada.
A AP já atua no setor de IA há tempo: em 2023 licenciou parte de seu acervo para a OpenAI e, no ano seguinte, disponibilizou dados na Snowflake Marketplace. Também criou a AP Intelligence para mercados financeiro e publicitário.
Os cortes atuais afetam principalmente jornalistas dos birôs dos EUA. O plano prevê oferecer demissão voluntária a funcionários sindicalizados; se não houver adesões, serão demitidos. Em 2024, a AP registrou outro expressivo corte, de cerca de 8%.
A organização mantém seu modelo único, sem dono controlador, com veículos membros elegendo um conselho que toma decisões estratégicas. O objetivo é preservar uma cobertura relativamente isenta e imparcial, típica da agência.
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