A Brex, fintech brasileira, foi adquirida pela Capital One por US$ 5,15 bilhões. A operação integra uma instituição financeira com foco em tecnologia, anunciada em janeiro. Pedro Franceschi, CEO da Brex, não enxerga a transação como saída, mas como passo para ampliar a atuação no mercado americano.
Franceschi participou do Brazil At Silicon Valley, painel de abertura organizado por Stanford e Berkeley. Ao lado de Victor Lazarte, cofundador da Wildlife, o empreendedor destacou que a venda representa, do ponto de vista de capital, uma saída, mas que continua comprometido com a criação de produtos e impacto nos clientes.
A Brex foi fundada em 2017, com sede em São Francisco. A plataforma oferece cartões corporativos, gestão de gastos e pagamentos em tempo real, tudo em uma solução integrada com IA nativa. O modelo combina ferramentas financeiras em um único sistema.
Atualmente, a Brex atende cerca de 30.000 empresas, incluindo Robinhood e Anthropic, empresa de IA avaliada entre as mais valiosas do mundo. Franceschi afirma que a operação com a Capital One pode acelerar transformações e ampliar o alcance da empresa.
A meta é ampliar a presença da Brex na América e no exterior, sem depender exclusivamente de abertura de capital. O CEO diz que a empresa tende a crescer além das previsões anteriores, sob o guarda-chuva da Capital One.
Segundo Franceschi, a referência de desempenho pode ser medida pelo que a Capital One investe em pesquisa, desenvolvimento e marketing, estimado em cerca de US$ 6 bilhões por ano. A empresa afirma competir com Ramp e Mercury.
A Brex vê na parceria com a Capital One a oportunidade de construir uma marca no sistema financeiro de investimentos. O objetivo é impactar clientes com soluções mais abrangentes.
Pré-aquisição e contexto
Antes da aquisição, a Brex era avaliada em US$ 12,3 bilhões na última rodada de captação, em outubro de 2021, quando levantou US$ 300 milhões. Fundos como Tiger Global, Y Combinator, GIC e Ribbit Capital participaram do financiamento.
A trajetória da Brex inclui um processo de turnaround para enfrentar turbulências de mercado. O crescimento acelerado resultou em múltiplos braços e produtos, gerando perdas expressivas em determinados períodos.
Entre as mudanças, a empresa adotou o modelo Brex 3.0, com uma nova forma de operar, consolidou o papel do CEO e redesign de liderança, reduzindo camadas e aproximando equipes do core business.
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