A previsível transição para uma infraestrutura financeira baseada em blockchain pode acelerar a resposta de investidores e provocar efeitos em cadeia que potencialmente ampliariam crises financeiras, segundo alerta do FMI. O estudo foi publicado na quinta-feira passada (3).
A pesquisa aponta que a liquidação atômica e maior transparência reduzem riscos tradicionais, mas aumentam a velocidade de resolução de tensões. Em mercados tokenizados, interrupções podem ocorrer mais rapidamente, limitando espaço para intervenções discricionárias.
O documento descreve cenários nos quais ativos tokenizados criam alavancas que geram ciclos de venda. A garantias de operações de crédito, por exemplo, podem ser transferidas ao credor assim que a inadimplência é identificada, desencadeando gatilhos secundários.
Esses gatilhos, acionados por investidores em cadeia, poderiam levar a uma depreciação rápida dos ativos e a desvalorizações em cascata. A lógica da tokenização seria repetida em diferentes operações, ampliando impactos.
Segundo Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o FMI atua dentro de um sistema de moedas fiduciárias estatais. O avanço das criptomoedas e da tokenização pode reduzir o controle institucional sobre a dinâmica financeira global.
O estudo aponta que a finança tokenizada representa uma mudança estrutural, integrando pagamentos, liquidação e gestão de garantias em ambientes programáveis. Essa integração reduz etapas intermediárias e o tempo de absorção de choques.
Para investidores, a mudança altera a percepção de liquidez. Em condições normais, a negociação contínua facilita entradas e saídas, mas em cenários adversos pode intensificar movimentos simultâneos, pressionando preços e elevando a volatilidade.
Ainda assim, o FMI aponta ganhos potenciais, como menores custos operacionais, maior eficiência e maior acesso a mercados. O efeito final dependerá da adaptação regulatória e da criação de mecanismos compatíveis com o tempo real.
Pascowitch frisa que os riscos não são exclusivos da tokenização. Qualquer sistema financeiro está sujeito a crises, e a velocidade de liquidações pode aumentar em ambientes menos regulados, mas há ganhos de eficiência e de descentralização.
O apresentador destaca que o caminho é evoluir a regulação e supervisão, não restringir a tecnologia. O objetivo é oferecer estruturas que acompanhem a transformação do mercado.
Resenha do Dinheiro recebeu apoio da B3 e da BlackRock. O programa, apresentado por Marilia Fontes, Thiago Godoy e Bernardo Pascowitch, discute educação financeira e investimentos. Vai ao ar semanalmente, com programação na CNN Money e na CNN Brasil.
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