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Subsídio gás de cozinha não chegará aos consumidores, dizem revendedores

Revendedores afirmam que subsídio não chegará aos consumidores e pedem reajuste rápido dos preços de referência para viabilizar o Gás do Povo

Brasil não é autossuficiente na produção de GLP
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A nova medida do governo federal para subsidiar o GLP importado não deverá chegar aos consumidores nem solucionar os problemas que podem inviabilizar o programa Gás do Povo, segundo a Abragás, que representa mais de 60 mil revendedores de GLP no país. A entidade afirma que o subsídio não será repassado às revendas nem aos beneficiários, ficando preso na cadeia de distribuição.

Os revendedores cobram correção rápida dos preços de referência usados para o pagamento do subsídio, afirmando que os valores atuais não remuneram adequadamente as atividades do setor. O programa Gás do Povo prevê botijões gratuitos para cerca de 50 milhões de pessoas, mas enfrenta gargalos de preço e logística.

A defasagem do preço de referência já era criticada antes e foi agravada pelo aumento dos custos com GLP e diesel. A disparada nos preços, associada à guerra entre EUA e IRã, elevou custos de importação e dificultou a oferta global. O país vem lidando com esse desequilíbrio desde 2024.

A Abragás lembra que o Brasil não é autossuficiente no GLP, importando cerca de 20% do que consome. A Petrobras é o principal fornecedor, com participação de refinarias privadas. O governo informou que o subsídio elaborado visa equalizar o preço entre importado e nacional, reduzindo impactos da alta externa.

Subvenção e impactos no mercado

A medida prevê o pagamento de 850 reais por tonelada de GLP importado, com dotação de 330 milhões de reais. O objetivo é manter o acesso ao gás de cozinha para as famílias, segundo o governo. O Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

A Petrobras teve dificuldades recentes com leilões de GLP para suprir o mercado. Em um dos polos, houve ágio superior a 100% na comercialização do produto, segundo fontes envolvidas no certame. O governo chegou a tentar cancelar o último leilão, realizado no fim de março.

A demissão de Claudio Schlosser, diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, ocorreu na segunda-feira após críticas ao leilão. A ANP abriu investigação para apurar possíveis práticas de preço com ágio elevado.

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