Raízen iniciou conversas para converter cerca de R$ 29 bilhões de dívidas em ações, segundo fontes envolvidas nas negociações. A medida poderia abrir caminho para a venda de ativos que rendam até R$ 10 bilhões. A empresa busca fortalecer a estrutura de capital para avançar no acordo extrajudicial com credores.
As negociações visam sustentar o acordo com detentores de títulos que somam aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas pendentes. A maior parte do grupo envolvido é composto por credores no Brasil e no exterior, com participação de detentores de bônus nos Estados Unidos.
As negociações começaram na terça-feira (07) e ganham velocidade na quarta-feira (08), segundo fontes que pediram para não ser identificadas por tratar-se de negociação privada. A Raízen, a Shell e a Cosan não comentaram.
Contexto e desdobramentos
A Raízen tem enfrentado dificuldades para gerenciar o endividamento após intensa captação de recursos, condições de mercado desfavoráveis e incêndios em canaviais que prejudicaram a safra. A joint venture entre Shell e Cosan também avalia ajustes nos termos da troca dívida por equity.
A estrutura de negociação pode incluir uma injeção de capital adicional de maior porte, conforme pressão dos credores. A Shell já se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões para apoiar a Raízen, mas a Cosan não pode confirmar valor equivalente.
A incerteza sobre a reestruturação impacta também planos de venda de ativos. Em andamento, a Raízen negocia com Mercuria Energy Group a venda de uma refinaria e de uma rede de postos na Argentina, potencialmente avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões).
Perspectivas e próximos passos
Não está definido quanto tempo levará a conclusão das negociações nem se haverá alterações significativas no acordo original. A expectativa é que as conversas permaneçam em curso para assegurar a aprovação final da reestruturação dentro de um prazo próximo.
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