Músicas criadas com inteligência artificial podem gerar prejuízos de mais de R$ 60 bilhões ao mercado global, aponta estudo encomendado pela CISAC e realizado pela PMP Strategy. O levantamento considera o uso não autorizado de vozes de artistas.
A pesquisa aponta que o domínio da IA na produção musical tem potencial de reduzir faturamento de criadores de conteúdo audiovisual em até 21% até 2028, com o setor de música despontando entre os mais afetados. O mercado estratégico deve crescer de 3 bilhões de euros para 64 bilhões de euros no mesmo período, segundo a CISAC.
Entre os casos em evidência, está a faixa intitulada Sina de Ofélia, baseada em uma música popular que usa as vozes de Luísa Sonza e Dilsinho em uma versão em português, sem autorização prévia. A produção viralizou nas redes sociais e desperta debates sobre direitos autorais.
Implicações legais e atuação de entidades
Especialistas destacam que copiar ou criar versões com vozes de artistas já existentes pode configurar crime, conforme o art. 184 do Código Penal. O Ecad afirma que autorização deve ser obtida junto aos detentores dos direitos, antes de qualquer adaptação.
Dados do Ecad indicam que cerca de 14 mil faixas foram bloqueadas para análise por suspeita de uso indevido de IA, incluindo casos que poderiam ferir a propriedade intelectual. A entidade ressalta a diferença entre uso tecnológico lícito e prática de plágio ou pirataria.
Perspectivas e desafios
A evolução tecnológica aproxima o uso criativo de IA, mas também impõe limites para evitar prejuízos à indústria. Especialistas ressaltam a necessidade de dosagem no emprego de IA, distinguindo entre auxílio técnico e violação de direitos autorais.
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