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Inflação aumenta e pressiona atuação do Banco Central

Inflação projeta IPCA em 4,36% neste ano, encostando no teto da meta, dificultando queda de juros e sustentando pressão sobre o Banco Central

De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria
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O Boletim Focus trouxe nesta sexta-feira a revisão da inflação para este ano. A projeção do IPCA subiu de 4,31% para 4,36%, aproximando-se do teto da meta.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, a mudança sinaliza uma tendência alta após quedas recentes. A elevação ganhou impulso desde fevereiro, com tensões no Oriente Médio.

A meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, até 4,5%. O cenário preocupa o Banco Central frente a flexibilização monetária.

A deterioração não se restringe a 2026. Para 2027 a projeção é de 3,85%, 2028 em 3,6% e 2029 em 3,5%, indicando desafio contínuo para a política monetária. A visão ocorre apesar de medidas do BC.

A Selic está em 14,75% ao ano, após corte de 0,25 p.p. na última reunião do Copom. O mercado aguardava redução maior antes das tensões internacionais.

Thiago Godoy, o Papai Financeiro, afirma que expectativas influenciam a inflação real. A inflação projetada tende a se materializar se o mercado reajustar preços antecipadamente.

Fontes destacam que ante maior custo de combustíveis, fretes ou alimentos, ajustes ocorrem antes dos impactos efetivos, dificultando o controle inflacionário.

Paralelamente, o Brasil criou 255 mil empregos formais em fevereiro, segundo o Caged. O mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo mesmo com juros elevados.

O conjunto de fatores aumenta a complexidade para a condução da política monetária, com defasagem de efeitos de ajustes na Selic estimada em cerca de nove meses.

Perspectivas e impactos no mercado

A previsão de inflação elevada freia cortes adicionais na política monetária, exigindo cautela dos investidores frente a ativos prefixados. A leitura é de que o espaço para reduções mais intensas permanece limitado.

Dados e agenda

O Focus consolida a visão de que o cenário inflacionário permanece delicado, alinhando-se aos desdobramentos do câmbio, petróleo e commodities. A resiliência do emprego sustenta o consumo, mas impõe cautela fiscal.

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