Em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1, o Banco Central aponta crescimento modesto da produtividade nos últimos anos. O relatório de política monetária, divulgado no fim do mês passado, aponta que, ao excluir a agropecuária, o ganho permanece limitado, em 1,1% desde 2019 (0,2% ao ano, em média).
Sem ganhos de produtividade, a redução das horas trabalhadas pode elevar o custo de produção e pressionar margens empresariais, o que pode refletir em preços, dependendo de fatores como concorrência, demanda e eficiência. O BC ressalta que a produtividade tem contribuído pouco para reduzir custos do trabalho.
Segundo o BC, a evolução da produtividade está ligada a dinâmicas distintas: alta em 2020, devido à pandemia, seguida de queda entre 2021 e 2022, e, em 2023, avanço moderado com destaque para a agropecuária. Outros serviços também mostraram ganho, ainda que limitado.
Analistas ouvidos pelo setor destacam que a qualidade de vida é tema relevante, mas o emprego estava em patamar historicamente baixo. Mudanças na jornada sem apoiar impactos estruturais podem elevar custos e, assim, pressionar preços.
- Em termos setoriais, a agropecuária foi o principal destaque na melhora da produtividade desde 2019, com efeito combinado de maior produção e menor população ocupada. Outros serviços também contribuíram, segundo o BC.
A CNI estima queda de 0,7% do PIB caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais com salário mantido. A entidade aponta aumento do custo do trabalho, possível recuo de competitividade e menor produção, impactando exportações e importações.
O tema domina o debate político. O presidente da Câmara sinalizou votação da PEC na CCJ na próxima semana e, até fim de maio, no plenário. O governo discute encaminhar texto ao Congresso, defendendo a transformação para 5×2 e jornada de 40 horas sem redução salarial.
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