O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira a assinatura de um acordo de cooperação técnica com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ampliar a troca de informações sobre operações de crédito no Brasil. O objetivo é fortalecer o monitoramento e a avaliação de riscos no sistema financeiro.
O BC apontou um aumento expressivo no endividamento das famílias, com ênfase em empréstimos pessoais sem garantia e uso de cartão de crédito. Em relatório de cidadania financeira, a autarquia destacou que a digitalização facilita o acesso ao crédito, mas expõe consumidores a riscos de superendividamento, exigindo educação financeira e regulação mais robusta.
A instituição destacou números preocupantes: o total de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia chegou a 41,7 milhões no fim de 2024, acima do registrado em 2020. Paralelamente, 53 milhões de pessoas tinham dívidas no cartão de crédito, incluindo rotativo ou parcelado.
Parcerias e impactos no mercado de crédito
O relatório também mostrou que o número de cartões ativos no Brasil passou de 220 milhões, com quase 96 milhões de usuários fazendo uso da função de crédito. Juros do rotativo ultrapassam 430% ao ano, enquanto as opções parceladas ficam em torno de 200% ao ano.
O comprometimento da renda com gastos no cartão subiu de 38,5% em 2020 para 54% em 2024, sinalizando maior participação do crédito no orçamento familiar e maior vulnerabilidade a oscilações de renda. A análise também ressalta a necessidade de aprofundar estudos sobre o fenômeno conhecido como bets, que pode elevar riscos entre grupos mais vulneráveis.
O acordo com a CVM prevê compartilhamento de dados mais amplo, incluindo informações de entidades reguladas pela CVM, como securitizadoras. Segundo o BC, a iniciativa deve reduzir assimetrias de informação e favorecer uma precificação de risco mais adequada para o mercado como um todo.
Observações finais
A nota do BC ressaltou que a cooperação entre BC e CVM já ocorre há vários anos e passa a ganhar continuidade por meio do novo acordo. A medida visa tornar o crédito mais seguro e reduzir custos para tomadores, sem apontar mudanças políticas imediatas.
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