A Oncoclínicas (ONCO3) protocolou uma ação de tutela cautelar no Tribunal de Justiça de São Paulo para evitar o vencimento antecipado de suas dívidas e a exigibilidade das obrigações junto a credores. A medida, apresentada nesta segunda-feira (13) e divulgada em fato relevante à CVM, busca suspender liminarmente esse pagamento.
A empresa afirma que opera normalmente e mantém diálogo ativo com credores. A liminar pretendida visa impedir que o descumprimento de covenants financeiros, que levou à reclassificação da dívida, desfaça condições de crédito já acordadas.
Detalhes financeiros e cenários
No fechamento de 2025, a Oncoclínicas registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 3,67 bilhões, ou cerca de R$ 10 milhões por dia. O resultado piorou frente a 2024, quando houve perdas de R$ 717 milhões.
Dois itens pesaram na situação: R$ 430,9 milhões em aplicações bloqueadas no Banco Master e R$ 861,9 milhões em recebíveis da Unimed do Rio de Janeiro, integralmente provisionados após a operadora deixar de honrar pagamentos.
O EBITDA ajustado recuou aproximadamente 45% ante 2024, ficando 40% abaixo do consenso de mercado. Analistas do JP Morgan mantêm recomendação de underweight, citando alta pressão de liquidez.
Perspectivas de mercado e negociações
A instituição destacou que a continuidade dos negócios depende de apoio externo e de uma possível transação com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3), grupos com interesse nos ativos. O prazo de exclusividade para negociações terminou no domingo (12).
As ações da empresa chegaram a subir 8,06% na máxima, mas registraram queda ao longo da sessão. Por volta das 11h50, ONCO3 operava em R$ 1,27, com ganho de 2,42% no dia, após susto inicial, mantendo alta volatilidade.
Mudanças na gestão
Em reunião do conselho realizada em 27 de março, foi aprovada, por unanimidade, a destituição de Eduardo Cesar Alves, ex-Diretor de Relações com a Indústria e Comercial. Também ocorreram as renúncias do Diretor de Recursos Humanos e do Diretor de Tecnologia da Informação.
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