O dólar cai abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, mas o cenário acompanha o real com volatilidade relacionada a fatores externos e domésticos. A explicação envolve juros elevados no Brasil e fluxo externo sustentado pela demanda por commodities, segundo a economista-chefe Cristiane Quartaroli, do Ouribank.
Para a leitura da instituição, dois vetores explicam a valorização recente do câmbio no Brasil: ambiente externo difícil, com a guerra elevando o preço do petróleo, favorecendo exportadores; e atrativo de juros internos que mantém o fluxo de capital estrangeiro. O real se beneficia desse cenário, mesmo com o dólar mais fraco globalmente.
No entanto, a provisão de volatilidade é clara. A guerra geopolítica tende a aumentar oscilações de risco, o que pode fragilizar movimentos positivos no câmbio. Além disso, o calendário eleitoral brasileiro é apontado como fator de instabilidade para a moeda ao longo do ano.
Do lado doméstico, o cenário político permanece relevante para o câmbio. As eleições costumam trazer ruídos e ajustar o ritmo de entrada de capitais. Ainda assim, o banco acredita num ano relativamente favorável ao real, sustentado pelo diferencial de juros, com volatilidade intermediária entre períodos.
O que diz o mercado
As projeções apontam para alta do dólar no fim de 2026. O Relatório Focus, do Banco Central, aponta mediana de R$ 5,37 para o dólar em 2026, frente R$ 5,40 estimados há quatro semanas. Para 2027, a projeção é de R$ 5,40.
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