A indústria automotiva de luxo amplia seu raio de atuação ao investir no mercado imobiliário de alto padrão. Projetos assinados por marcas de carros chegam a Dubai, Miami, São Paulo e outras cidades, combinando design, tecnologia e exclusividade para compradores exigentes.
Entre as iniciativas, destaca-se o projeto da Mercedes-Benz em Dubai. O investimento é de cerca de US$ 8,2 bilhões em um distrito residencial de 930 mil m², com 13 mil apartamentos distribuídos em 12 torres, cada uma batizada com nomes de modelos da marca. A conclusão está prevista para 2029.
Os valores dos imóveis chegam a milhões de dólares, com unidades de três dormitórios estimadas em até US$ 5 milhões. A proposta envolve parques, áreas culturais e instalações esportivas, fortalecendo a ideia de uma cidade integrada à marca.
A Porsche foi pioneira nos EUA, abrindo a Design Tower em Miami em 2017, com arquitetura assinada pela Sieger Suarez Architects. Em 2024, a Aston Martin lançou uma torre de 66 andares e 391 apartamentos, em Miami, com projeto do Bodas Miani Anger.
Na região de Dubai, a Bugatti planeja concluir até 2027 um arranha-céu de 42 andares, com curvas marcantes. Uma unidade já foi vendida ao jogador Neymar Jr., por valores elevados. No mesmo mercado, a Mercedes-Benz planeja ampliar o conceito de residências assinadas.
No Brasil, a demanda por residências de alto padrão ganhou força. Em São Paulo, a Pininfarina assina um projeto de três torres para a capital, com 210 metros de altura pretendidos, ainda em desenvolvimento. Em Balneário Camboriú, SC, a GT Home ergue três torres com tecnologia de ponta.
Outras cidades brasileiras recebem investimentos semelhantes. Em João Pessoa, a Setai Residences terá um condomínio assinado pela Aston Martin, com arquitetura de parceiros locais. O cenário reforça a presença de marcas automotivas no mercado imobiliário de luxo.
Segundo a Knight Frank, a tendência pode levar a até mil projetos de residências assinadas até 2030. Na América Latina, a valorização média é prevista em patamar superior a 60%, com potenciais impactos inclusivos e urbanísticos.
Analistas destacam que o movimento também envolve mudanças no perfil do consumidor de alto padrão. A aposta é em exclusividade, tecnologia e referências internacionais, com foco em imóveis de alto valor agregado e alto potencial de valorização.
No Brasil, as residências assinadas já influenciam o mercado local de luxos. Em Balneário Camboriú, a GT Home projeta três torres, com unidades vendendo rapidamente e preços acima de mil reais por metro quadrado. A presença de marcas globais eleva a visibilidade da região.
Impacto urbano e social
Especialistas apontam que esses empreendimentos tendem a atrair moradores com alto poder aquisitivo, elevando o valor de área ao redor. Estudos apontam valorização imobiliária e, ao mesmo tempo, riscos de gentrificação em áreas próximas.
Para pesquisadores, o custo de moradia sobe, limitando o acesso de moradores de renda mais baixa e alterando a composição de ruas, comércio e serviços. Ao mesmo tempo, o setor indica demanda real por marcas de luxo e inovação.
A integração entre marca, arquitetura e serviços de alto padrão redefine referências urbanas. Gérson Campari, da Belas Artes, observa que o carro deixa de ser essencial para muitos consumidores, abrindo espaço para usos privilegiados, com áreas restritas e plus de privacidade.
Katherine Sresnewsky, da ESPM, ressalta que parcerias entre montadoras e desenvolvedoras ampliam o valor percebido, desde que o posicionamento de cada marca não seja comprometido. A lógica é manter equilíbrio entre exclusividade e reputação não prejudicada.
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