O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou o preço do petróleo e pode pressionar a inflação global, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da Instituição Fiscal Independente (IFI). O estudo, divulgado nesta quinta-feira (16/4), aponta impactos potenciais para as contas públicas brasileiras diante da escalada militar.
Tensões no Oriente Médio já influenciam uma região ampliada, incluindo Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Iraque, Kuwait e Líbano. O barril Brent subiu de cerca de 71 dólares para acima de 100 dólares, ampliando preocupações com a inflação mundial e com riscos à atividade econômica e ao comércio internacional.
Para o Brasil, a IFI afirma que podem surgir efeitos em inflação, juros, crescimento e comércio exterior. O relatório destaca medidas do governo para atenuar a alta de combustíveis, como subsídios, linhas de crédito para companhias aéreas, desonerações e postergação de tarifas, que elevam despesas e reduzem receitas.
Por outro lado, os efeitos positivos citados incluem maior arrecadação de royalties, dividendos da Petrobras e ganhos com venda de petróleo pela União. A inflação mais alta também tende a elevar a arrecadação tributária, beneficiando União, estados e municípios.
A IFI observa que tentativas de compensação fiscal foram discutidas, como taxação de exportações de petróleo e diesel e aumento do IPI sobre cigarros, mas algumas medidas enfrentaram entraves legais. O radar inclui ainda impactos de médio prazo na trajetória fiscal.
Entre os efeitos previstos está a possível aceleração da inflação, o que pode influenciar o reajuste do salário mínimo a partir de 2027. A mudança esperada impacta despesas obrigatórias, como aposentadorias, BPC, seguro-desemprego e abono salarial.
Além disso, o estudo sinaliza possível impacto na trajetória da Selic, hoje em 14,75% ao ano, diante de pressões inflacionárias e do custo da dívida pública. O cenário sugere que a dívida pode permanecer mais onerosa em função de juros elevados.
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