A crise atual envolve o estreito de Ormuz, por onde passam parte relevante da cadeia global de fertilizantes. O bloqueio elevou preços de insumos como ureia, amônia, fosfatos e enxofre, pressionando margens de produtores e o abastecimento no Brasil. Em jogo está o custo e a disponibilidade de insumos para a agropecuária.
O Brasil, maior importador mundial de fertilizantes, depende de entradas externas para atender cerca de 85% do consumo. A situação atual pode reduzir a oferta de insumos vitais e afetar a formação de preços de alimentos, refletindo na produção agrícola local.
Atenção para o quadro global: 40% da ureia, 30% da amônia, 24% dos fosfatos e 50% do enxofre são exportados pelo mundo via Ormuz. No país, dependência de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre é superior a 90%, 75%, e mais de 95%, respectivamente.
Com a crise, a vulnerabilidade do Brasil é sistêmica. Solos ácidos exigem reposição contínua de nutrientes, tornando a logística sensível a variações de preço. Estoques nacionais cobrem apenas 2 a 3 meses de demanda, com muito volume já comprometido.
Há pouca margem para soluções rápidas. Reservas estratégicas são inviáveis diante do câmbio global, e diversificar fornecimentos chegou tarde. Medidas de curto prazo incluem biofertilizantes, agricultura de precisão, reaproveitamento de resíduos e pó de rocha, entre outros.
Entretanto, nenhuma saída substitui a dependência de fertilizantes químicos importados. As alternativas compram tempo, mas não resolvem o desafio estrutural que envolve políticas público-privadas e planejamento de longo prazo.
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