O ouro recupera o papel de ativo de refúgio à medida que se intensificam sinais de normalização do custo de energia, influenciando também a rentabilidade da dívida soberana. A reabertura do estreito de Ormuz foi anunciada nesta tarde por Donald Trump e pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, com aplicação imediata e validade de 10 dias.
Como reflexo, o dólar apresenta queda após ter se fortalecido nos momentos de tensão. A divisa caiu para 1,18 dólar por euro, o menor nível desde a véspera da guerra. O recuo ocorre em meio a expectativa de distensão entre as partes envolvidas no conflito.
O ouro, tradicionalmente visto como ativo de proteção, avançou quase 1,5% e chegou a 4.860 dólares por onça, nível não visto desde meados de março. O metal acumulou perda durante o conflito, associada à maior correlação com as bolsas e à expansão de produtos de investimento em ouro.
Impacto nas bolsas e no petróleo
O recuo do petróleo e a recuperação das bolsas aparecem como efeitos iniciais da reabertura do estreito. A energia mais estável reduz pressões inflacionárias e altera o comportamento de ativos de risco, refletindo em menor apetite por proteção extrema no curto prazo.
Renda fixa e expectativas de juros
Na renda fixa, houve queda de rendimentos de títulos soberanos, com abaixo de 10 pontos base em longos prazos na Alemanha, Reino Unido, França e Espanha. O trecho espanhol a 10 anos fica próximo de 3,4%, ainda acima do nível pré-conflito em cerca de 30 pontos base.
Perspectivas de política monetária
Mercados futuros enxergam menor necessidade de aperto monetário para contornar a inflação, caso o petróleo permaneça estável. Previsões apontam cortes nos EUA e ajustes no BCE, com a taxa principal no bloco europeu recaindo para cerca de 2,0% no final do ano, ante 2,75% projetados anteriormente.
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