O governo brasileiro realizou nesta semana a maior emissão já feita no mercado global de dívida, com a venda de 5 bilhões de euros em títulos. A operação também marcou a primeira emissão em euros em mais de uma década, em meio à estratégia de diversificação de mercados do Tesouro Nacional.
O secretário do Tesouro, Daniel Leal, afirmou em entrevista à Bloomberg News, durante as reuniões do FMI e do Banco Mundial em Washington, que há espaço para ampliar a participação de dívida atrelada ao câmbio. Segundo ele, os fundamentos econômicos do Brasil e o nível de reservas fortalecem esse movimento.
Atualmente, a dívida indexada ao câmbio corresponde a 4% do total, o que Leal qualificou como “muito baixo” e capaz de superar a meta de 7% no PAF deste ano. A operação de euros reforça a estratégia de diversificação, que também contempla avaliações de emissão no mercado chinês, os chamados panda bonds.
Apesar do foco em mercados alternativos, o Tesouro não vê sinal de afastamento estratégico dos EUA. Leal reconheceu que os panda bonds exigem procedimentos operacionais mais longos, mas disse que o país pode aproveitar uma janela em dólar caso surja.
A ampliação das operações cambiais aparece em meio a uma melhora econômica doméstica, com inflação sob controle, retomada do crescimento e um arcabouço fiscal considerado mais sólido. A proposta de diretrizes orçamentárias projeta estabilidade da dívida até 2030, fortalecendo a credibilidade externa.
Segundo o secretário, o estoque de reservas internacionais superior a US$ 368 bilhões funciona como amortecedor contra choques cambiais. Com custos de captação externa relativamente baixos, o governo pode alongar prazos de financiamento sem elevar rapidamente a dívida.
Leal destacou que ampliar a exposição cambial contribuiria para ampliar a base de investidores, estabelecer referências de preços para emissores privados e sustentar relações comerciais em várias moedas, além de sinalizar uma mudança de trajetória de política cambial.
A emissão em euros concluída na quarta-feira é apresentada pelo Tesouro como parte de uma estratégia estrutural, não oportunista. A equipe governamental já realizou o planejamento prévio e avaliou o forte interesse de investidores durante apresentações de venda.
Entre na conversa da comunidade