Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Elite secreta de Cuba controla império empresarial bilionário

Gaesa, holding ligada às Forças Armadas, administra ativos bilionários fora do orçamento, financiando turismo enquanto Cuba enfrenta crise

A miséria nas ruas de Havana contrasta com os modernos hotéis financiados pelas corporações da Gaesa, como a Torre K — Iberostar Selection Havana (esq.), inaugurada em 2025
0:00
Carregando...
0:00

O conglomerado Gaesa, vinculado às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, opera secretamente como uma grande holding que domina setores que geram dólares no país. Em meio à crise econômica, a riqueza estimada da Gaesa chega a bilhões de dólares, segundo documentos vazados.

A holding não tem website, nem contatos institucionais, nem balanços públicos. Não consta no orçamento estatal e não é auditada pela Assembleia Nacional ou pela Controladoria Geral da República, o que dificulta o escrutínio sobre o destino dos recursos.

Relatórios vazados apontam que a Gaesa possuía ativos de pelo menos 17,9 bilhões de dólares em 2024, com mais de 14,4 bilhões em contas bancárias. O montante não inclui a Cimex, considerada a maior empresa dentro do guarda-chuva militar.

Especialistas estimam que a Gaesa tenha participação relevante em turismo, remessas, comércio exterior, telecomunicações e logística. A soma dessas operações estaria longe de refletir o quadro econômico do restante da economia cubana.

O que se sabe é que o grupo atua em áreas-chave que geram receitas expressivas em dólares, enquanto setores de demanda interna, como agricultura e indústria, ficam com menor investimento público, contribuindo para a crise estrutural que o país enfrenta.

Entre as empresas que integram o conglomerado estão operadoras turísticas, redes hoteleiras, empresas de transporte e o controle de instituições financeiras que lidam com transações internacionais. A estrutura interna permanece obscura e difícil de rastrear, com ativos distribuídos por redes societárias complexas.

O exército também controla a gestão de recursos que, na prática, funcionam como reservas paralelas, supostamente sob o guarda-chuva da Gaesa. A destinação desses fundos permanece incerta e não sujeita a auditorias públicas.

Quem comanda a Gaesa não é publicamente conhecido em detalhes. A presidência passou de um alto oficial próximo a Raúl Castro para a atual executiva Ania Guillermina Lastres, cuja função é principalmente operacional e não de decisão sobre os recursos.

O núcleo duro da liderança não é divulgado, e pessoas próximas da família Castro aparecem associadas ao controle, incluindo ex-aliados próximos do veterano Raúl Castro. A relação entre o poder político e o controle econômico permanece central na leitura sobre a Gaesa.

Núcleos de investigação indicam que o poder econômico da Gaesa está concentrado em menos de duas dezenas de pessoas, com redes de assessores e supervisão contábil para evitar rastreamento claro do dinheiro. A estrutura é descrita como um conjunto de entidades de testa de ferro.

A economia de Cuba permanece fragilizada, com queda de cerca de 15% do PIB nos últimos cinco anos e severa escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. A crise energética, agravada por sanções e rupturas em fornecimentos, intensifica o desafio governamental.

Especialistas apontam que a Gaesa teria sólidos recursos que poderiam sustentar reformas econômicas, incluindo agricultura, geração de eletricidade e indústria, caso o regime decida por uma transição. A possibilidade de realocação de ativos é tema de debate entre analistas.

O jornalismo internacional destaca que o papel da Gaesa contrasta com a pobreza concreta vivida pela população, especialmente nas ruas de Havana, onde obras de infraestrutura não acompanham o nível de desenvolvimento dos empreendimentos vinculados ao conglomerado.

A BBC News Mundo apurou que a Gaesa mantém ativos significativos fora de Cuba, inclusive em paraísos fiscais, o que dificulta a fiscalização externa e o entendimento sobre a origem e o destino dos recursos. Até o momento, não há confirmação oficial sobre esse fluxo.

A reportagem indica que, se houver mudança de regime, uma das primeiras medidas seria esclarecer a localização e o uso dos recursos da Gaesa, considerados estratégicos para a estabilização econômica futura. A natureza privada dos ativos complica qualquer previsão.

Em síntese, a Gaesa representa um poder financeiro robusto, separado do aparato estatal, com atuação em setores que geram divisas. Sua influência na economia cubana levanta questões sobre transparência, responsabilidade e impactos sobre a vida cotidiana da população.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais