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Hospitais em doom loop: lições para o SUS

Economist usa 'doom loop' para descrever sistemas hospitalares; no Brasil, subfinanciamento e fragmentação mantêm o problema, demandando mudança de paradigma

A covid-19 não criou o problema –só expôs um modelo estruturalmente disfuncional, baseado na fragmentação do cuidado e na remuneração por volume, diz o articulista
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A análise publicada pela revista Economist aponta que hospitais ao redor do mundo vivem um “doom loop”: pacientes mais graves ocupam leitos por mais tempo, gerando filas maiores e piorando a capacidade de atendimento. O texto destaca que esse ciclo se sustenta mesmo com aumentos de gasto em saúde.

Segundo a reportagem, em vários países o tempo de espera em emergências dobrou desde 2019. Na Inglaterra, mais de um quarto dos pacientes fica acima de quatro horas na triagem. Os chamados trolley waits cresceram e, em alguns sistemas, a ocupação operacional passa de 90%. No Canadá, pacientes chegam a aguardar serviços.

A matéria aponta que a produção hospitalar não acompanha o aumento de recursos. Mesmo com gasto próximo a 10% do PIB em muitos países da OCDE e mais profissionais, a eficiência cai, sinalizando que o problema é estrutural e não apenas financeiro.

No Brasil, o panorama não é novo. Antes de 2019, o SUS já registrava redução da capacidade com fechamento de cerca de 40 mil leitos públicos. Durante a pandemia, abriu-se mais de 26 mil leitos de terapia intensiva para atender casos graves, mas o esforço foi emergencial e não estruturante.

Cenário brasileiro

O texto da Economist sugere que o ciclo econômico por trás do atendimento hospitalar é a raiz do problema: pagamento por procedimento amplia o volume, eleva custos e reduz a eficiência. A organização de dados e incentivos adequados seria crucial para mudar esse rumo.

A inteligência artificial é apresentada como promissora, mas com efeito limitado se não houver integração de dados e mudança de incentivos. Sem reformas, IA pode apenas automatizar falhas já existentes.

No Brasil, após anos de imobilismo, cresce o debate sobre uma nova lista de reformas para o SUS. Iniciativas de remuneração por valor foram interrompidas, retardando avanços estruturais que valorizem desfechos clínicos e qualidade.

Para avançar, o texto recomenda migrar para um modelo de saúde orientado por valor, com financiamento vinculado a resultados, ampliar a integração do cuidado e fortalecer governança e uso de dados. Essas mudanças são apresentadas como essenciais.

A Economist encerra afirmando que o incêndio no SUS é real, mas aponta o combustível subjacente como caro e estrutural. O relatório conclui que o SUS não precisa de mais do mesmo, e sim de gestão eficiente.

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