Em 2024, o empreendedorismo entre jovens no Brasil soma 4,9 milhões de pessoas, crescimento de 25% desde 2012. A participação deles no total de empreendedores alcança 16%. A pesquisa do Sebrae aponta que a expansão é mais intensa no Sudeste e no Nordeste, concentrando 67,8% das micro e pequenas empresas criadas por jovens.
O setor de Serviços lidera a participação, respondendo por 56,9% das empresas juvenis em 2024, enquanto Serviços e Comércio somam 74,5%. A Indústria permanece com baixa representatividade (5,3%), e a Construção registra a maior queda recente. O perfil de negócio também mudou, com mais empresas consolidadas desde 2021.
Apesar do aumento, o rendimento médio dos jovens empreendedores em 2024 fica aquém do observado entre empreendedores mais experientes. No quarto trimestre, a renda média foi de 2.567 reais, 26,2% abaixo da média geral de donos de negócio. A baixa formalização e a limitada escala são entraves recorrentes.
Caminhos e custos da formalização
O estudo aponta obstáculos como baixo registro formal (27,2% com CNPJ) e baixa contribuição previdenciária (70,3% não contribuem). A falta de escala também persiste, com apenas 7,4% atuando como empregadores. Obstáculos estruturais incluem burocracia, sistema tributário complexo e acesso limitado a crédito.
Iniciativas de inovação entre jovens
Entre as iniciativas, a Algarys, fundada em 2025 em Brasília, desenvolve soluções com IA voltadas a ampliar a eficiência humana, incluindo totens de triagem com suporte de IA em unidades de saúde. Os fundadores destacam a necessidade de educar empresários e equipes para o uso responsável da tecnologia.
Outra experiência é a marca Notp, criada por estudantes, que atua com uniformes e itens personalizados para centros universitários. A dupla de fundadores organiza a gestão entre estudos e negócios, estruturando a empresa gradualmente para apoiar o crescimento.
Liberdade financeira como motivação
Relatos de jovens empreendedores indicam a busca por autonomia financeira, não apenas por estabilidade. A história de quem decidiu empreender aponta resistência ao modelo tradicional de carreira e à ideia de aposentadoria como único destino, com foco na construção de riqueza e independência.
O professor Otto Nogami, do Insper, observa que o movimento vem ganhando espaço na ocupação nacional, mas aponta que a transformação ainda depende de mudanças estruturais. A renda elevada entre jovens não é garantida, e a sustentabilidade dos negócios continua como desafio.
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