O mercado financeiro elevou novamente a projeção de inflação para 2026 e manteve a expectativa de juros mais altos, em razão da intensificação da guerra no Oriente Médio. As projeções são publicadas toda segunda-feira pelo Banco Central (BC) com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.
Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda (20), o IPCA estimado para este ano passou de 4,71% para 4,80%. A divulgação utiliza dados obtidos na semana anterior e reflete a percepção do mercado sobre pressões inflacionárias.
A projeção de inflação para 2026 ficou acima do teto da meta de 4,50%, estabelecido pelo regime de metas contínuas. O último boletim anterior foi o primeiro desde maio do ano passado a indicar estouro da meta em 2026. O IPCA de 2025 ficou em 4,26%.
Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%, enquanto para 2028 a previsão permanece em 3,60%, e para 2029, em 3,50%. A mudança reflete as incertezas globais e o potencial de persistência de pressões de preços.
Inflação em alta
O BC mantém o foco na inflação com a meta de 3% ao ano, permitindo variação entre 1,50% e 4,50%. A leitura atual aponta para maior volatilidade de preços diante do cenário externo.
O mercado também revisou a estimativa de juros para cima em 2026, apesar da elevação recente da inflação. A taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano, deve recuar menos do que em semanas anteriores.
Para o fim de 2026, o mercado espera Selic em 13% ao ano, ante 12,50% na semana anterior. As projeções para 2027 seguem em 11% e para 2028, em 10% ao ano.
Corte dos juros
Mesmo com o ajuste nas perspectivas de inflação, o mercado aposta na tendência de queda gradual dos juros ao longo dos próximos anos, acompanhando o ritmo da atividade econômica e a trajetória da inflação.
Estimativas para o PIB de 2026 passaram de crescimento de 1,85% para 1,86%, segundo o mercado. O IBGE já havia informado que o PIB de 2025 cresceu 2,3%.
Para 2027, a previsão de expansão do PIB permanece em 1,8%. A leitura indica continuidade de recuperação, ainda que com volatilidade influenciada por fatores externos e por políticas macrofiscais.
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