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Renda fixa digital oferece retorno maior; é preciso olhar além da taxa

Especialistas alertam que facilidade de acesso a recebíveis tokenizados pode esconder riscos, enquanto a CVM discute ampliar captação e regras

— Foto: Getty Images
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O mercado de renda fixa digital avança no Brasil, impulsionado pela tokenização de recebíveis. Empresas convertem créditos a receber em ativos digitais para captar recursos, ampliando o acesso ao mercado de capitais. A promessa é de retorno maior, com mais eficiência.

Especialistas alertam para que o investidor não se deixe levar apenas pela rentabilidade anunciada. A facilidade de distribuição pode ocultar riscos, com estruturas e garantias menos padronizadas que no mercado tradicional.

O que mudou e quem está envolvido

A adoção cresce pela possibilidade de fontes menores captar recursos diretamente de investidores, sem depender de bancos. Plataformas como Tokeniza e MB destacam rapidez na estruturação, com prazos que, em alguns casos, ficam abaixo de dois meses.

Entidades do setor ressaltam que o token não é o ativo, e sim o instrumento jurídico que formaliza a emissão. Investidores ganham variedade de opções, mas precisam avaliar a qualidade do lastro e as garantias associadas a cada operação.

Risco e lastro

O lastro pode variar bastante e nem sempre há uma estrutura sólida para assegurar o cumprimento dos direitos. Advogados destacam a dificuldade de classificação de ativos tokenizados, o que gera dúvidas sobre o que está sendo comprado.

A falta de padronização e de enquadramento claro pode expor investidores a riscos não percebidos, especialmente em projetos com ativos menos tradicionais, como recebíveis específicos ou royalties artísticos.

Regulação em evolução

A CVM reconhece as lacunas e discute mudanças no modelo. Hoje predomina a Resolução 88, que regula crowdfunding no mercado de capitais, com limites de captação e de investimento para não qualificados, além de exigência de informações sobre riscos.

Não há mercado secundário estruturado para esse tipo de ativo, o que limita a liquidez. A CVM trabalha em consulta pública para ampliar limites de captação e adequar o regime às emissões tokenizadas, com foco em maior liquidez.

Caminho para amadurecimento

Especialistas recomendam começar por ativos próximos ao mercado tradicional, como CCBs, antes de avançar para operações mais complexas. A análise deve priorizar o lastro, a qualidade do crédito e a estrutura da operação, não apenas a rentabilidade.

O consenso é de que a tokenização não elimina riscos, apenas muda sua forma de apresentação. O investidor precisa entender a essência do ativo e a governança envolvida para evitar armadilhas no mercado em construção.

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