Carmine G. Agnello, neto do ex-chefe da máfia Gambino, foi condenado a 15 meses de prisão por fraude associada a empréstimos do programa Economic Injury Disaster Loan (EIDL). O pedido foi feito com base na utilização de recursos para investimentos em criptomoedas, desviando fundos destinados a manter a empresa Crown Auto Parts & Recycling, LLC, em Jamaica, Queens.
Promotores afirmam que Agnello desvia cerca de US$ 420 mil desses recursos para um negócio de criptomoedas, em vez de beneficiar a operação comercial. Ele já havia se declarado culpado, em setembro de 2024, por fraude eletrônica e foi condenado a pagar mais de US$ 1,26 milhão em restituição.
Entre abril de 2020 e novembro de 2021, o condenado solicitou ao menos três empréstimos do EIDL por meio da empresa citada, apresentando informações falsas sobre o número de funcionários e o uso pretendido dos fundos. A decisão foi anunciada pelo Gabinete do Procurador dos EUA para o Distrito Leste de Nova York.
Contexto de fraudes pandêmicas
Especialistas ouvidos pelo Decrypt destacam que o caso evidencia vulnerabilidades estruturais nos programas de auxílio à Covid, com foco em velocidade de liberação e verificação tardia. A liberação rápida de recursos facilitou desvios para ativos digitais, segundo analistas.
Isabella Chase, da TRM Labs, descreveu os programas de pandemia como vetores de fraude relevantes nos últimos anos, ressaltando que controles reduzidos contribuíram para a curva de desvio. A partir de relatos técnicos, observa-se que a combinação entre desembolso acelerado e mercados de cripto criou condições propícias para desvios.
Este caso não envolve acusações de RICO, lavagem de dinheiro ou envolvimento direto com organizações criminosas amplas, conforme aponta a avaliação de especialistas. O Distrito Leste de Nova York tem histórico de lidar com casos ligados a pessoas associadas à família Gambino, embora não haja indicações de conexão com redes criminosas maiores neste processo.
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