A moeda brasileira, o real, registrou a maior valorização entre 27 moedas analisadas pela Elos Ayta Consultoria no cumulativo de 2026, frente ao dólar. O ganho foi de 10,4% até abril, com o dólar encerrando a cotação em R$ 4,974 na segunda-feira (20). O valor é o mais baixo desde 25 de março.
A alta ocorre em meio ao encarecimento do petróleo e de outras commodities, fatores que estimulam exportações e atraem fluxo de dólares ao Brasil. Analistas destacam que a valorização ajuda a melhorar a arrecadação de royalties e pode sustentar medidas de estímulo.
Contexto macroeconômico e impactos
O FMI elevou a projeção de crescimento brasileiro para 1,9% em 2026, enquanto a guerra no Oriente Médio reduz a projeção de demanda global. A política monetária contracionista também sustenta o diferencial de juros, que favorece o real.
O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, sinalizando um eventual ciclo de cortes mais contido. O juro-base foi reduzido para 14,75% ao ano, com expectativa de menor intensidade de flexibilização.
Juros reais e fluxo de capitais
Especialistas indicam que juros reais elevados proporcionam maior atratividade ao câmbio. Dados de fluxo mostram que investidores estrangeiros aportaram R$ 67,3 bilhões na B3 até 16 de abril, contribuindo para a valorização do real.
Riscos políticos e eleitorais
Apesar do momento favorável, a trajetória do real pode ser pressionada por fatores fiscais. Em ano eleitoral, gastos públicos acima do previsto podem reacender preocupações fiscais e gerar volatilidade cambial, segundo analistas.
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