O Planalto está acelerando o lançamento do Desenrola 2, a versão atualizada da renegociação de dívidas. O programa já está pronto e depende apenas do parecer do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser anunciado. Trata-se de uma peça-chave para melhorar a avaliação do governo, segundo auxiliares.
Lula retorna hoje ao Brasil, vindo de uma semana na Europa, com a minuta do plano em mãos. A proposta visa reduzir o peso das dívidas de famílias, visto como um dos principais fatores de insatisfação com a gestão. Analistas divergem sobre o impacto eleitoral.
A ideia é apresentar o Desenrola 2 na próxima semana, mantendo foco na melhoria da renda familiar e na confiança econômica. O Planalto avalia que a medida pode sinalizar compromisso com consumo e crédito, ainda que haja ceticismo sobre resultados imediatos.
Detalhes do programa
Dívidas de cartão, cheque especial e empréstimos poderão ser reunidas em uma única renegociação com juros de até 1,99% ao mês, prazos maiores e parcelas menores. Benefícios variam conforme o atraso, com descontos de até 90%. Elegibilidade atinge renda de até cinco salários mínimos.
O Ministério da Fazenda, sob o comando de Dario Durigan, adianta que a proposta prevê também a possibilidade de trabalhadores utilizarem até 20% do FGTS para quitar dívidas. Além disso, há estudo de proibição temporária de acesso a apostas para quem aderir ao programa.
Coerente com o objetivo, o texto do Desenrola 2 propõe substituir dívidas caras por opções mais baratas, especialmente em linhas como cartão de crédito e CDC. A ideia é reduzir o peso financeiro e facilitar a renegociação, conforme a pasta.
Olhares técnicos e político
Especialistas divergem sobre o alcance eleitoral da medida até outubro. Alguns apontam que, mesmo com sinalizações positivas, mudanças estruturais são necessárias para reduzir o endividamento de forma sustentável. Outros destacam a importância de ações complementares contra apostas e publicidade das plataformas.
A avaliação de economistas e cientistas políticos enfatiza que o efeito do programa depende da implementação e da comunicação do governo. A proposta está sob análise de Lula, com possíveis impactos limitados caso não combine com medidas duras para o conjunto de dívidas.
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