Os seguros para projetos de créditos de carbono começam a ganhar espaço no Brasil, com foco em conservação e restauração de florestas. O mercado voluntário global deve alcançar US$ 1,01 bilhão em 2026 e crescer 12,5% até 2035, impulsionado por compromissos corporativos de compensação.
No Brasil, a liderança regional aparece como diferencial: o país responde por cerca de 40% dos projetos e 25,6% das reduções de emissões anuais no mercado voluntário sul-americano. Especialistas apontam estabilidade regulatória e segurança jurídica como condições para ampliar esse movimento.
Mercado de seguros para créditos de carbono
Globalmente, a Howden Seguros foi pioneira, lançando em 2022 o primeiro produto para o mercado voluntário, cobrindo riscos como não entrega de créditos e falha de pagamento. No Brasil, as primeiras apólices surgiram em 2025, voltadas a restauração florestal e proteção contra incêndios e vendavais.
No desenho da operação, a estrutura envolve contrato com outra seguradora e resseguro para diluir riscos. O objetivo é aumentar a confiança em projetos e reduzir fraudes que atingem o mercado voluntário, sem substituir certificações e auditorias.
No Brasil, o interesse é visível, mas o custo é apontado como entrave. O seguro é visto como produto customizado, adaptado aos projetos de carbono, que costumam exigir soluções sob medida. Um passo adicional depende de maior escala e de regulamentação do mercado regulado.
A Future Climate, em parceria com a AON, lançou em 2024 a primeira apólice brasileira voltada aos agentes do mercado de carbono, especialmente compradores finais. O produto cobre até 40% do valor da transação, mediante um prêmio de 5% sobre o valor segurado.
A motivação é reduzir riscos de fraudes, dupla contagem, mudanças metodológicas e desempenho dos projetos. Mesmo com interesse inicial, o custo do seguro precisa de demonstração de ganho para ganhar escala no mercado. A atuação de resseguradoras é vista como fundamental para acelerar a implantação.
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