A descarbonização da indústria brasileira ganha contorno financeiro com a ComBio. A empresa oferece vapor industrial gerado a partir da biomassa, em contratos longos, para reduzir emissões e preservar caixa das clientes. O modelo é CapEx-as-a-Service, ou Asset-as-a-Service.
A ComBio assume investimento, construção e operação de unidades de produção de vapor dentro das fábricas. O cliente paga pelo insumo energético consumido, sem imobilizar capital. A proposta: vapor mais barato e emissões significativamente menores.
A estratégia funciona como gestão de custo: a decisão é financeira e envolve escolha de matéria-prima, logística e compra diária. A empresa afirma que o vapor pode ficar até 20% mais barato que alternativas fósseis, com redução de até 95% nas emissões de carbono.
Modelo de negócio
A ComBio mantêm cerca de 80 profissionais dedicados à originação e logística de biomassa, com mais de 15 fornecedores em um raio de centenas de quilômetros. Cerca de 90% do volume é contratado, 10% adquirido no mercado spot, para capturar oportunidades de preço.
Gilberto Rozenchan, CTO da ComBio, explica que a biomassa varia conforme a localização da fábrica. Em SP, serragem e cavaco são comuns; no Norte, Barcarena (PA), caroço de açaí; sul, resíduos de arroz, cascas. A variação de custo é comum.
Custos e qualidade
Os preços da biomassa mudam com oferta e demanda. Cavaco de eucalipto em SP fica próximo de R$ 400/tonelada; bagaço de cana, entre R$ 180 e R$ 229. O fornecimento é monitorado com auditorias para evitar fraudes, como adição de materiais para peso.
A biomassa é rastreada e auditada. Fornecedores que não atendem aos padrões são excluídos. O processo inclui controle de qualidade para evitar adulterações na matéria-prima.
Logística e escala
O modelo depende de escala: a unidade da Ingredion em Mogi Guaçu consome até 1.000 toneladas/dia para manter a caldeira de 800°C. O investimento na planta foi de cerca de R$ 230 milhões e a instalação ocupa 8.500 m² com capacidade para 22 mil m³ de biomassa.
A biomassa alimenta caldeira que gera vapor via tubulações para a planta industrial. A gestão da caldeira usa IA para ajustar o fluxo conforme a demanda, buscando alinhamento com a ponta da cadeia.
Impacto operacional
A planta de Mogi Guaçu pode emitir até 200 t/h de vapor, consumindo 60-80 t de biomassa por hora. Em plena operação, chegam a 45-60 carretas/dia para abastecer. A substituição do gás natural por biomassa evita emissões de cerca de 160 mil tCO2e/ano.
A unidade, entre outras melhorias, ajudou o município a reduzir cerca de 33% das emissões totais anuais da cidade, considerando que a fábrica é grande consumidor local.
Potencial de mercado
A iniciativa mira crescer para 1.000 t/h de vapor contratadas até o fim do ano. A meta é triplicar o faturamento até 2030, para R$ 4-5 bilhões, ante cerca de R$ 1 bilhão hoje. A ComBio também estuda expandir para outras regiões e tipos de biomassa, com laboratório próprio em Piracicaba.
Além da biomassa sólida, a empresa avalia biogás e biometano como próximos passos, mantendo o foco em reduzir emissões e manter a competitividade de clientes de diversos setores. A ComBio atende Klabin, CBA, Rhodia e Cervejaria Petrópolis, entre outros.
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