O setor elétrico brasileiro enfrenta dificuldades para manter investimentos, apontam especialistas. O principal entrave é a falta de previsibilidade, segundo o CEO da Athon Energia, Daniel Maia. Ele participou do Fórum VEJA de Energia, em São Paulo, na segunda-feira, 27 de abril de 2026.
Maia ressaltou que decisões de investimento no setor dependem de planejamento de longo prazo, diferente de trajetórias de fundos e ações. Segundo ele, o ritmo de uma empresa de energia renovável é mais lento, levando meses para confirmar um projeto.
A demanda por energia no país deve crescer mesmo diante de turbulências geopolíticas. Maia estima que data centers e carros elétricos possam elevar o consumo entre 10% e 30%, respectivamente, com a demanda anual podendo quase dobrar nos próximos 10 anos.
Perspectivas para o setor
A demanda futura tende a ser atendida principalmente por fontes renováveis intermitentes, não apenas por hidrelétricas. A energia hidrelétrica perde relevância relativa, enquanto solar e eólica ganham protagonismo pela competitividade. O uso de baterias ganha importância para armazenar excedentes.
Para suprir o crescimento, Maia apontou uma tríade de tecnologias: usinas termelétricas, hidrelétricas estáveis e sistemas de armazenamento, como baterias de larga escala. O contexto geopolítico atual eleva a volatilidade de preços e dificulta o planejamento de prazos e orçamentos.
O executivo citou desafios envolvendo leilões de termelétricas, com volatilidade no preço do petróleo impactando a entrega de energia dentro de prazos. Ele destacou a necessidade de planos alternativos para manter a confiabilidade do sistema elétrico nacional.
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