O Banco Central do Brasil (BCB) e o Federal Reserve (Fed) iniciaram suas reuniões de política monetária nesta terça-feira, 28, em meio a revisões do mercado após a guerra no Oriente Médio. A decisão sobre juros no Brasil deve sair na quarta, 29. Nos EUA, a expectativa é pela manutenção da taxa.
O ambiente de incerteza envolve impactos da escalada no petróleo, troca de moedas e fluxos de capitais. Analistas apontam que a guerra elevou a aversão a riscos e influenciou a recente apreciação do real, bem como a trajetória de inflação no Brasil.
Cenário de inflação e política no Brasil
O mercado passou a precificar uma redução mais branda da Selic, de cerca de 0,25 ponto, levando a taxa a 14,5% ao ano. Dados de inflação recentes alimentam a cautela dos bancos centrais diante do choque externo.
Bancos e casas de análise revisam projeções de curto prazo. O Itaú BBA destacou que, apesar da elevação do real, a inflação e o IPCA têm surpreendido, consumindo espaço para cortes adicionais. O cenário depende de novas informações sobre o conflito.
Expectativas do mercado
Entre 66% e 86% dos contratos prevêem cortes menores, conforme lapsos de negociação de Copom na B3. Investidores passaram de apostas de cortes maiores para uma postura mais contida frente à elevada incerteza global.
O HSBC ajustou a visão de política monetária após a última reunião, enfatizando que o petróleo em patamar elevado e a incerteza logísticas mantêm o tom cauteloso. A instituição aponta que a resposta dependerá de novos sinais geopolíticos.
Cenário internacional
Nos EUA, o mercado aposta na manutenção da taxa pelo Fed, diante de inflação pressionada pela guerra. Analistas destacam que o impacto energético aumenta pressões sobre preços e pode atrasar cortes.
O atual presidente do Fed, Jerome Powell, encerra o mandato em breve, em meio a sondagens sobre a direção da política monetária. O debate público envolve tempos de pausa mais prolongados e cautela diante do conflito.
Perspectivas e dados para decisões
O Focus sinaliza expectativa de corte de 0,25 ponto na reunião brasileira. O mercado ainda revisa o patamar da Selic para o fim do ano, com projeções diversas entre instituições, dependendo da evolução externa.
A XP ressalta que choques de oferta e a valorização cambial ampliam o desafio de inflação. A instituição mantém visão de altas projeções para a inflação de médio prazo, influenciando o ritmo de cortes.
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