A CNC (Confederação Nacional do Comércio) informou nesta terça-feira (28.abr.2026) que os gastos brasileiros com apostas somam cerca de R$ 30 bilhões por mês, baseado em dados do Banco Central. O estudo aponta que esse consumo tem relação com a piora da inadimplência familiar.
Segundo o levantamento, para chegar ao gasto mensal em março, foram usados documentos e notas estatísticas do BC, que podem subestimar o montante. Em março, 80,4% das famílias estavam endividadas, 29,6% tinham dívidas em atraso e 12,3% não teriam condições de pagar.
As plataformas de apostas on-line cresceram a partir de janeiro de 2023, com impulso após a regulamentação do governo federal. A CNC afirma que o aumento dos gastos com bets impactou indicadores de condições financeiras, principalmente entre as famílias de menor renda.
Impacto nas finanças das famílias
O estudo aponta que o grupo de famílias com renda menor foi o mais afetado. Entre até 3 salários mínimos e 3 a 5 salários mínimos, houve incremento no endividamento total e na inadimplência severa, com o indicador de famílias sem condições de pagar apresentando forte elevação.
Dados desagregados indicam maior impacto entre homens, pessoas com renda baixa, maiores de 35 anos e indivíduos com maior escolaridade. A CNC sustenta que há evidências robustas de que as bets influenciam a saúde financeira das famílias.
Relação entre gasto com bets e atraso
Para cada aumento de 10% nos gastos com bets, o índice de famílias sem condições de pagar aumenta 0,12 ponto percentual, e o atraso médio cresce 0,46 ponto percentual em dias. O economista Fabio Bentes ressaltou que esse estrangulamento financeiro pode afetar as vendas do varejo.
A CNC também destaca que, em dois anos, as apostas teriam retirado aproximadamente R$ 143,8 bilhões das vendas do varejo. O estudo não avalia dívidas diretas com jogos, mas sim pendências que se acumulam por essa despesa no orçamento familiar.
Metodologia e cenário econômico
O estudo utiliza dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor). O endividamento total atingiu 80,4% em março, marco histórico segundo a CNC. Fornecidos períodos considerados vão de maio de 2021 a março de 2026, com observações mensais relevantes.
A CNC aponta que, ainda que haja melhoria no mercado de trabalho entre 2023 e 2026 — com queda do desemprego para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro —, o crescimento das bets parece ter contribuído para o aumento da inadimplência. A inflação também variou, influenciando o poder de compra das famílias.
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