O comércio brasileiro deixou de faturar aproximadamente 143,82 bilhões de reais nos últimos dois anos por gastos com apostas online, segundo dados divulgados pela CNC nesta terça-feira, 28. A leitura aponta que cada Natal costuma movimentar cerca de 70 bilhões de reais, mas a soma de apostas desviou parte desse potencial.
A CNC sustenta que houve mudança de hábitos de consumo, com mais renda destinada a serviços e apostas. O estudo aponta risco de inadimplência elevada e menor capacidade de quitar dívidas, impactando o orçamento familiar e o desempenho do comércio.
Além disso, o levantamento analisa efeitos por perfil socioeconômico, destacando renda baixa (até 5 salários) como mais vulnerável. Homens acima de 35 anos com ensino médio completo aparecem entre os mais atingidos pelos gastos com bets.
Maiores prejudicados
A CNC avaliou três indicadores: endividamento total, inadimplência severa e tempo para quitar débitos. O estudo aponta aumento da inadimplência entre quem aposta online e maior tempo para pagamento entre esses usuários.
Segundo a CNC, mulheres não exibem alterações significativas no total devido a dívidas por apostas. O atraso no pagamento é o ponto mais evidente nesse grupo, conforme o levantamento.
O relatório aponta que adultos com mais de 35 anos e com ensino médio completo ou superior estão entre os mais impactados. O acesso à bancarização e a plataformas de bets explica parte do resultado.
Famílias com renda de até 5 salários mínimos costumam se endividar mais por apostas. Em faixas de renda mais alta, o comportamento tende a substituir outros gastos por apostas, segundo a CNC.
Setor de apostas rebate
A ANJL, associação do setor, emitiu nota contestando o estudo da CNC. Alega que a relação entre bets e inadimplência é estrutural, influenciada por juros altos e custo de vida.
A entidade afirma que o mercado opera dentro de regras legais e que os números da CNC desconsideram o comportamento diversificado das apostas. A ANJL aponta que não há efeito uniforme no orçamento familiar.
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