O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de mais de 228 mil vagas com carteira assinada em março, indicador acima das projeções. No 1º trimestre, as vagas abertas somaram 613.373, menor que o 1º trimestre de 2025 (675.119).
A análise é de Janaína Feijó, economista do FGV Ibre, com base no Caged. Ela aponta que os números do período indicam uma acomodação do emprego, ainda que lenta, sem destruição líquida de postos.
O balanço de março registrou 2.526.660 admissões contra 2.298.452 desligamentos. O resultado líquido foi superior ao de março de 2024, quando houve alta de 79.994 vagas. A OCORRÊNCIA ocorreu em 12 meses de comparação.
Em setores, quatro de cinco apresentaram abertura líquida: serviços (152.391), construção (38.316), indústria geral (28.336) e comércio (27.267). Agropecuária registrou queda de 18.096 vagas formais.
Para Feijó, o setor de construção segue aquecido, com obras do primeiro semestre mantendo demanda. No cenário eleitoral, parte das obras de infraestrutura está concentrada neste período, o que impulsiona o setor.
A taxa básica de juros (Selic) permanece elevada e dificulta o impulso ao investimento. Mesmo com sinal de afrouxamento, fatores externos, como a guerra no Irã e o choque nos preços do petróleo, podem adiar quedas da taxa.
O salário médio de admissão ficou em R$ 2.350,83 em março, queda de R$ 17,50 frente a fevereiro. O salário médio de demissão foi de R$ 2.454,07, perto de R$ 2.471,35 em fevereiro.
Comparado a março de 2025, o salário de admissão subiu 1,8% em relação ao ano anterior. Esse movimento indica mercado aquecido e pode influenciar decisões do Banco Central sobre juros.
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