O Copom sinalizou espaço para novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião, segundo especialistas. A decisão atual manteve o viés previsto pelo mercado, mas com tom mais cauteloso em relação aos choques externos, especialmente o conflito no Oriente Médio e seus impactos nos preços de energia.
Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o banco central enfatizou riscos globais, sem alterar a trajetória gradual de cortes. O economista aponta que a autoridade já abriu margem para próximos movimentos, ainda que o cenário externo permaneça desafiador.
No âmbito doméstico, o Copom reforçou preocupação com a inflação interna. O comunicado apontou que a inflação corrente está aquém da meta, mas permanece acima do desejado, mantendo o comitê atento aos desdobramentos de curto prazo. A atividade econômica, por sua vez, indicou ritmo acima do esperado no primeiro trimestre, dentro de uma trajetória de desaceleração.
Inflação ainda preocupa
A leitura do Copom aponta desaceleração gradual da inflação no médio prazo, porém com viés de alta dependendo de variações de preços de energia e de componentes pressionados pela demanda. O balanço de riscos permanece maior no curto prazo pela volatilidade externa.
O comitê indicou flexibilidade para prosseguir com cortes, desde que a inflação siga sob controle e as condições externas não se agravem. A sinalização sugere continuidade do ajuste monetário, porém de forma gradual.
Expectativas para juros e câmbio
A visão de mercado continua prec versus nova redução da Selic, com a dependência de variáveis externas, principalmente petróleo. A taxa de câmbio deve manter-se em patamar próximo ao atual, sensível a novos dados de inflação e de expectativas de mercado.
O horizonte de curto prazo aponta para ajuste dos ativos: juros podem permanecer estáveis ou recuar pouco, enquanto o dólar pode oscilar conforme notícias inflacionárias e o humor externo. A leitura é de cautela com o cenário externo, mas com abertura para novas reduções.
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