Em 2023, o governo criou o Desenrola Brasil, um programa de renegociação de dívidas para pessoas físicas inadimplentes. Três anos depois, surge o Desenrola 2, que deve ser lançado em 4 de maio. O primeiro programa ganhou adesão expressiva, com 15 milhões de beneficiados e saldo de refinanciamentos próximo de R$ 53 bilhões, conforme dados oficiais.
A ideia é ampliar o alcance, potencialmente atingindo o dobro de brasileiros, com reforço de recursos como R$ 4,5 bilhões do FGTS anunciados pelo ministro do Trabalho e Emprego. Além disso, há apoio do Fundo Garantir de Operações, que pode ser incrementado por saldos que bancos mantêm sem utilizar. Tais instrumentos visam reduzir perdas para instituições financeiras durante a renegociação.
Perspectivas e parâmetros do programa
Especialistas apontam que, embora o saldo do Desenrola 2 seja difícil de prever, o efeito tende a gerar resultado líquido positivo. Ainda assim, a cautela reside na possibilidade de levar o devedor a contrair novas linhas de crédito, ainda que com juros de até 1,99% ao mês. Números do Banco Central indicam alta endêmica, com 82,8 milhões de inadimplentes em março e dívida total de aproximadamente R$ 557 bilhões, em média de R$ 1.647,64 por pessoa.
Estimativas indicam que o estoque de crédito elegível para negociação é da ordem de R$ 100 bilhões. Descontos entre 70% e 90% podem permitir renegociação entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões. O ministro da Fazenda informou que a meta depende de descontos aplicados e de garantias modestas do FGTS, que podem incentivar as instituições a participar mais ativamente.
Cenário de endividamento e fatores regionais
Segundo o mapa da Serasa, o Brasil contava, em março, com 82,8 milhões de negativados. O valor médio da dívida em atraso era de R$ 1.647,64, e o valor médio dos acordos firmados ficou em R$ 756, com descontos totais de R$ 18,4 bilhões. Em nível regional, estados com maiores taxas de inadimplência são Amapá, Distrito Federal e Amazonas, enquanto Santa Catarina, Piauí e Espírito Santo apresentam menores velocidades de inadimplência.
As dívidas mais expressivas concentram-se em cartão de crédito (27,3%), contas básicas (21%) e dívidas com financeiras (20,2%). Autores consultados destacam que o endividamento está ligado a questões estruturais, como distribuição de renda, concentração bancária e gasto público que sustenta juros elevados. A avaliação geral é de que novos ciclos do Desenrola podem ocorrer, diante da manutenção de déficits de renda e crédito caro.
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