A guerra en Irán provocou uma mudança significativa no custo relativo do combustível para aviação na Europa. Embora a redução de voos para o Oriente Médio não afete fortemente companhias como IAG ou Air France-KLM, a alta no preço do combustível e a possibilidade de interrupções no fornecimento podem comprometer lucros. O impacto, porém, ainda depende de como evoluirá o custo do SAF, o combustível de aviação sustentável.
O SAF tem apresentado queda relativa em comparação com o combustível fóssil, mas ainda está longe de provocar uma mudança estratégica. Sua produção depende de matéria-prima como óleo de cozinha usado, cuja disponibilidade é limitada. A IATA estima que a produção de SAF em 2024 representou menos de 1% do consumo total de combustível para aviação.
A descarbonização da aviação é desafiadora devido a limitações técnicas. Baterias pesam demais para grandes aeronaves, e o hidrogênio líquido requer armazenamento criogênico. O SAF funciona com a tecnologia atual, mas custa mais que o combustível convencional por uso de matéria-prima reciclada. A redução de emissões pode chegar a 80%.
Desafios de oferta e preço
A disponibilidade e o custo do SAF seguem como entraves. Dados de 2024 indicam que 69% das matérias-primas para SAF na UE vieram de fora do bloco, com a China respondendo por 38% dessa parcela. A UE e o Reino Unido impõem mandatos progressivos de SAF, de 2% em 2025 até 2050, para estimular produção.
Para o curto prazo, executivos de companhias aéreas europeias acreditam que haverá SAF suficiente para cumprir as metas, mas o cenário de longo prazo preocupa devido a cancelamentos de plantas por parte de empresas como Shell. A implementação do e-SAF, que usa hidrogênio verde e captura de carbono, também enfrenta prazos curtos para escalar.
Custo e alternativas
O repasse de custos entre SAF e queroseno segue elevado. O preço do combustível fóssil chegou a ultrapassar 1.500 dólares por tonelada, contra pouco menos de 800 dólares antes da guerra, segundo dados de abril. O SAF no noroeste da Europa ficou acima de 2.700 dólares por tonelada, ainda significativamente caro.
A segurança energética depende de fontes de matéria-prima, com o óleo de cozinha usado não sendo suficiente na UE. Um caminho apontado envolve o uso do e-SAF, que demanda grande capacidade de energia renovável para produzir hidrogênio, o que eleva o custo. A indústria teme que o preço permaneça alto até que a tecnologia amadureça.
Perspectivas e apoio público
Especialistas avaliam que o preço relativo do SAF e do e-SAF pode melhorar com inovação tecnológica e maior fornecimento de energia renovável na Europa. Medidas como o redirecionamento de receitas do ETS para financiar projetos de e-SAF também são discutidas, inclusive por meio de estruturas de compra antecipada para reduzir riscos de financiamento.
A adoção de esquemas de compra com apoio estatal, como a chamada subasta de dupla face, poderia facilitar contratos entre produtores e companhias aéreas, ajudando a viabilizar a produção até que a tecnologia permaneça economicamente estável. Mesmo com custos elevados, o progresso do SAF e do e-SAF aparece como uma parte da solução energética para aviação.
Conclusão em perspectiva
Enquanto os preços relativos permanecem desafiadores, o vínculo entre geopolítica e fornecimento de combustível influencia decisões de investimento. O interesse por soluções mais limpas cresce, mas a transição depende de avanços tecnológicos, disponibilidade de matérias-primas e apoio regulatório estável.
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