Fitch Ratings alertou nesta quinta-feira que a nota de crédito dos Estados Unidos enfrenta o desafio de um déficit em expansão, o que eleva o peso da dívida do país bem acima de outras nações com a mesma classificação AA. A instituição aponta que a deterioração da posição fiscal é provável neste ano devido a cortes de impostos previstos no One Big Beautiful Bill Act, ainda que haja compensações com receitas de tarifas.
A agência destaca a necessidade de observar as eleições legislativas de meio de mandato de novembro. O funcionamento dos próximos meses poderá indicar freios e contrapesos ao Executivo, caso os democratas conquistem o controle de uma ou de ambas as Casas do Congresso. Em contraste, um governo dividido pode complicar a negociação de pacotes fiscais.
A Fitch também aponta que o cenário fiscal americano pode enfrentar riscos adicionais com o teto da dívida, especialmente se houver impasses legislativos. A expectativa é de um déficit do governo geral de 7,9% do PIB neste ano e no próximo, com incerteza sobre receitas tarifárias e defesa anunciadas pelo presidente Donald Trump.
Em relação aos números, a agência reduziu a projeção de receita com tarifas líquida de reembolsos para 150 bilhões de dólares em 2026, após a Suprema Corte ter derrubado as tarifas impostas na gestão anterior. Mesmo assim, a Fitch aponta fatores de apoio à nota de crédito dos EUA.
Entre os pontos fortes citados pela Fitch estão o papel do dólar como moeda de reserva global, a escala da economia norte-americana e a profundidade e a liquidez dos seus mercados de capitais. A instituição já havia rebaixado os EUA em agosto de 2023, em um nível, citando disputas políticas em torno do teto da dívida.
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