Nos últimos 12 meses, a taxa básica de juros no Brasil ficou em 15% ao ano, enquanto a inflação oscila em torno de 4,5%. O uso combinado de juros altos e inflação controlada resulta em uma taxa real próxima de 10% ao ano. Com isso, o gasto do governo com juros deve chegar a cerca de R$ 1,3 trilhão em 2026, equivalente a 8,5% do PIB.
A taxa média de juros paga pelos agentes econômicos, em março, atingiu 33,1% ao ano, nível recorde na série histórica. Embora haja efeitos desinflacionários com o aperto monetário, o cenário também gera impactos negativos relevantes para famílias e empresas.
A elevação do custo do crédito aumenta a dificuldade de pagamento de dívidas, elevando a inadimplência e pressionando renda das famílias. Sinalizações de esgotamento financeiro de grandes empresas também aparecem, em meio a juros persistentes.
Paralelamente, a dívida pública em relação ao PIB subiu nos últimos três anos e meio, saindo de 71,1% para 80,8% e recuando para 78,7% no mesmo período. O déficit primário variou entre -2,3%, -0,4% e -0,6% do PIB, respectivamente.
Essa dinâmica revela uma descompasso entre política monetária contracionista e política fiscal expansionista, que a imprensa descreve como dar com uma mão e retirar com a outra, em termos de impacto macroeconômico.
Contexto macro
O aumento da despesa com juros cabe ao governo diante de um cenário de juros elevados e estabilidade cambial incentivada pela diferença frente à taxa americana. A valorização do real ajuda a reduzir pressões inflacionárias ao longo de 2025 e 2026, conforme avaliações de mercado.
Dívida e déficit
A relação dívida/PIB já cresceu de forma significativa nos últimos anos, refletindo o acúmulo de déficits primários. Analistas apontam que o ciclo de aperto monetário, somado a gastos correntes elevados, eleva a delicada trajetória fiscal do país.
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