O setor de seguros enfrenta mais um ano de desafio no campo, após cortes relevantes na subvenção federal à contratação de coberturas para áreas plantadas. Em 2025, o governo bloqueou 445,1 milhões de reais do programa, totalizando 1,06 bilhão inicialmente previsto. A medida amplia os efeitos da alta da Selic e de eventos climáticos extremos sobre o agro.
A pressão para retomada do aporte público aumentou, mas há incertezas quanto à recomposição dos recursos. A CNseg prevê queda de 3,9% na arrecadação do seguro rural em 2026, após recuo de 8,8% em 2025, quando a receita somou 12,9 bilhões. O cenário difere da expansão prevista para o conjunto de seguros, de 5,7%.
A indústria cita atraso no repasse de recursos prometidos, com mais de 300 milhões de reais da subvenção de 2025 ainda pendentes. Enquanto o governo justifica restrições fiscais, representantes do setor afirmam não ter reuniões com o Comitê Gestor Interministerial para definir parâmetros de 2025. Ministério da Agricultura não comentou.
Queda de braços
As seguradoras pedem previsibilidade de dotações para 2026 e a reversão dos cortes. Em contrapartida, o governo sustenta o bloqueio por questões fiscais, destacando que a Lei de Diretrizes Orçamentárias pode ter virado despesa obrigatória. A indústria aponta que a falta de apoio reduz a adesão de produtores ao seguro rural.
A parcela de área coberta pelo seguro tem caído acentuadamente. Segundo a CNSeg, de 13,7 milhões de hectares no início da década passou para pouco mais de 3 milhões em 2025, equivalente a 3,3% do total. Nos Estados Unidos, a cobertura chega a aproximadamente 227 milhões de hectares.
Ciclo vicioso
Especialistas alertam para o risco de um ciclo vicioso no agronegócio sem seguro. Produtores sem cobertura enfrentam dificuldade para renegociar dívidas, reduzindo investimentos e ampliando a vulnerabilidade na próxima safra. Estão em estudo mecanismos para tornar a subvenção mais estável, inclusive com a criação de um fundo de estabilização.
Parcerias com o Congresso são consideradas importantes para aumentar a previsibilidade dos recursos. Parlamentares e representantes do setor discutem medidas para evitar novos cortes e favorecer uma recuperação gradual do seguro rural a partir de 2027.
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