No confronto entre tecnologia e trabalho, a IA é vista como motor de mudanças rápidas e transversais. Estudos indicam que impactos podem ocorrer tanto pela redução de custos quanto pela melhoria na entrega de serviços públicos. O tema envolve o Estado e o mercado.
A OIT e o Banco Mundial estimam que entre 26% e 38% dos empregos na América Latina estão expostos à IA generativa, mas apenas 2% a 5% correm risco de automação total. Em contrapartida, 8% a 14% podem registrar ganhos de produtividade.
Nos EUA, pesquisas apontam aumento de produtividade nos setores mais expostos e perdas de emprego potencialmente temporárias. Já na região, trabalhadores urbanos, formais e mais escolarizados são os mais vulneráveis; a transição não pode ser desorganizada.
Mudança de cenário: desigualdades e oportunidades
Larry Fink, da BlackRock, destaca que o valor criado pela tecnologia tende a ficar com quem a controla, aprofundando desigualdades se a produtividade não for distribuída. Isso exige políticas que acompanhem o ritmo da inovação.
Para a América Latina, o FMI sugere que a IA pode elevar a produtividade do setor formal e reduzir a informalidade. O desafio é adotar a tecnologia de forma desigual e oportuna, para evitar perdas acumuladas.
Brasil: potencial, investimentos e avanços
No Brasil, setores com maior demanda por habilidades ligadas à IA incluem serviços profissionais, informação, manufatura e governo. O país já conta com cerca de 144 unidades de pesquisa dedicadas ao tema, entre os mais ativos da região.
Casos concretos ilustram ganhos de eficiência. O Tesouro reduziu de 1000 para 8 horas uma classificação orçamentária, com 97% de acurácia, usando redes neurais. A CGU aponta que a Alice evitou 11,7 bilhões em contratos suspeitos.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos de 23 bilhões até 2028. Se apenas parte desses recursos reproduzir ganhos já verificados, o retorno fiscal tende a ser relevante e de longo prazo.
Olhando para o futuro da governança
Analistas dizem que a IA pode contribuir para reduzir despesas e melhorar serviços, fortalecendo a credibilidade do Estado. Essa combinação pode favorecer uma gestão mais eficiente sem abrir mão da responsabilidade fiscal.
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