A guerra no Oriente Médio levou ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota que concentra 20% do petróleo mundial. O preço do barril subiu, elevando a lucratividade de exportadores. A Guiana, vista como exportadora segura, ampliou a receita por carregamento para Europa e EUA, com alta de 68% na média semanal.
Como consequência, o petróleo guianense tornou-se referência por ser de alta qualidade, de fácil refino e custo de extração baixo. Jazidas em mares calmos afastam compradores da instabilidade do Golfo Pérsico, aumentando a atratividade para europeus e norte-americanos.
A Guiana já se destaca pelo crescimento econômico. O país registra a maior expansão de PIB da América do Sul, com médias próximas a 47% ao ano. Em 2026, a produção ultrapassou 900 mil barris por dia, tornando-se o terceiro maior produtor do continente.
Estrutura produtiva e seus dilemas
Curiosamente, apesar da alta produção, a Guiana não possui refinarias. O petróleo é exportado cru e o país compra combustíveis já refinados para atender o mercado interno, gerando custos logísticos e impactos econômicos.
Essa dependência de terceiros favorece choques logísticos, como a crise de abastecimento de combustível ocorrida em abril de 2026, em função de atrasos na cadeia mundial de suprimentos.
Lições observadas e paralelos com o Brasil
Especialistas apontam que agilidade regulatória e contratos atraentes atraíram investidoras como ExxonMobil e CNOOC para a Guiana. O modelo estimulou o mapeamento de poços e a criação de um Fundo Soberano com a riqueza gerada.
O caso guianense alimenta debates sobre a exploração da Margem Equatorial brasileira, entre Amapá e Rio Grande do Norte. Enquanto a Guiana avança, o Brasil discute questões ambientais que freiam avanços, apesar de possuir características geológicas semelhantes.
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