A União Europeia volta a mirar a energia nuclear como instrumento de diversificação e resiliência energética. O bloco discute acelerar a construção de reatores de fissão modulares (SMR) e o potencial da fusão, visando reduzir vulnerabilidades das cadeias de suprimento e enfrentar choques externos. A aposta também busca oportunidades de investimento.
A Comissão Europeia informou que, entre 2026 e 2027, serão investidos mais de 330 milhões de euros via o programa Euratom para promover fusão e SMR. O objetivo é iniciar os SMR no início da década de 2030 e avançar rumo à fusão nuclear na segunda metade do século.
Cenário energético europeu e investimento
Dados do Energy Institute indicam que fósseis respondem por 59% da geração global, enquanto a energia nuclear representa 8,9%. Na UE, a energia nuclear soma cerca de 23,3% da produção, com França liderando o uso da fonte. Na Espanha, a nuclear representa em torno de 20% da eletricidade, com sete reatores em operação.
Perspectivas para 2050 e custos
A CE projeta que mais de 90% da eletricidade da UE em 2040 venha de fontes de baixo carbono, principalmente renováveis, com a nuclear atuando como complemento. O Programa Indicativo Nuclear aponta necessidade de 241 bilhões de euros até 2050 para manter a frota atual e ampliar a capacidade, envolvendo investimento público e privado.
Inovação tecnológica e gotas de risco
A agenda atual inclui o desenvolvimento de SMR e reatores avançados, além de opções de reciclagem de resíduos e, a longo prazo, fusão. A taxonomia europeia classifica a energia nuclear como atividade de transição, desde que atenda padrões de segurança e sustentabilidade, destacando que não se trata de fonte renovável.
Desafios e oportunidades para o investidor
Diversificação, segurança energética e custos são os principais temas de debate. A energia nuclear oferece estabilidade e emissões sob controle, úteis para atender à demanda prevista até 2050, impulsionada por data centers e IA. A realização depende de inovação, aceitação social e mobilização de capitais.
Bruno Parraguez Sasso, analista de investimentos da Acacia Inversión, acompanha o tema. Fontes oficiais citam a Comissão Europeia e programas Euratom como eixo de política energética e inovação tecnológica na região.
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