O mercado de dívida de mercados emergentes segue valorizando, apesar do avanço do conflito no Oriente Médio. Investidores recorrem a hedge e estratégias de valor relativo para proteger ganhos diante da incerteza macro. Balanço de risco mira um cenário ainda desafiador, mas com spreads pressionados.
JPMorgan Chase orienta clientes a usar swaps de crédito para se protegerem de perdas em ativos de risco. Enquanto isso, Fidelity International e o fundo Frontier Road Limited reduziram a exposição a dívida de países em desenvolvimento. Na prática, o movimento reflete maior cautela entre gestores.
Na PPM America, a estratégia é mais seletiva, privilegiando países que devem performar bem independentemente da evolução do conflito. A dúvida permanece entre a sustentação da alta recente da dívida emergente e a possibilidade de erro de avaliação de preços.
Os spreads soberanos dos emergentes recuam a níveis próximos dos mais baixos desde 2013, sustentando ganhos mesmo com o prolongamento da tensão mundial. Com isso, ativos de risco seguem atrativos para alguns investidores, mas com cautela reforçada.
A festa da resiliência
Analistas destacam que, se a demanda por fundos de dívida emergente continuar, pode sustentar a valorização no curto prazo. Ao mesmo tempo, autoridades monetárias sinalizam riscos adicionais vinculados ao conflito, influenciando cenários de política econômica.
Na prática, o Federal Reserve manteve a taxa de juros estável, sob escrutínio de divergências sobre as perspectivas econômicas. Chile e Tailândia também mantiveram as demais políticas monetárias, citando impactos da guerra. Paquistão elevou juros diante de interrupções no fornecimento de energia.
Gestores como Martin Bercetche, da Frontier Road, mantêm posições em créditos de Venezuela e Ucrânia, que apresentam correlação menor com o mercado global. O foco está em ativos com resiliência relativa frente ao choque geopolítico.
O spread médio de swaps de crédito soberano caiu nos últimos dias, após picos recentes, e chega a patamar que oferece alto grau de proteção contra choques rápidos. Fundos passam a monitorar se o faturamento de petróleo aumenta oportunidades para emissões de países energéticos.
Especialistas ressaltam fundamentos mais robustos em várias economias emergentes, incluindo reservas internacionais elevadas e fontes de financiamento diversificadas. Esses pilares ajudam a sustentar a demanda por dívida de menor risco relativo, mesmo com spreads apertados.
Créditos do Golfo continuam apertados, influenciados por custos fiscais e pela pressão em países importadores de petróleo. Embora haja otimismo de curto prazo, o cenário requer cautela para posicionamentos de médio a longo prazo.
Entre na conversa da comunidade