O Desenrola 2.0, anunciado pelo governo nesta semana, é um programa de renegociação de dívidas que busca aliviar o superendividamento. A iniciativa atua como instrumento de deságio para inadimplentes com renda de até 5 salários mínimos, incluindo microempreendedores e estudantes devedores do Fies.
O governo não coloca dinheiro direto no processo, e sim garanteções por meio do Fundo de Garantia de Operações (FGO). O FGO pode cobrir parte dos créditos renegociados, permitindo juros mais baixos e descontos maiores para empréstimos. O Banco do Brasil gerencia o fundo, com recursos do Tesouro.
O Desenrola 2.0 amplia o alcance do programa. Serão contemplados mais de 80 milhões de inadimplentes, com foco em pessoas com renda de até R$ 8.150 mensais. Além disso, há facilitação de acesso, com retirada de exigências cadastrais e uso de 20% do saldo do FGTS para trabalhadores formais.
A proposta é vista como eficaz para reduzir dívidas rapidamente e estimular atividade econômica, emprego e arrecadação. No entanto, analistas alertam para o risco de se tornar apenas um paliativo de curto prazo.
O histórico ajuda a entender o cenário. O Desenrola 1.0, de 2023/2024, renegociou cerca de R$ 53 bilhões para 15 milhões de pessoas. O FGO tinha reserva de R$ 8 bilhões, mas utilizou apenas R$ 1,8 bilhão.
Riscos e cenário estrutural
Especialistas destacam que o problema central do crédito no Brasil envolve juros elevados e um spread bancário alto. A supervisão regulatória deficiente e limites frouxos dificultam o combate a ofertas enganosas.
O IDC, índice desenvolvido pela FGV, mostra que o desconforto com crédito subiu para 0,94 em 2026, nível recorde. O índice soma inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito.
O Desenrola 2.0 promete reduzir dívidas de forma acelerada, mas não propõe mudanças profundas na supervisão de crédito ou nos limites de comprometimento de renda. Assim, pode sustentar apenas ganhos temporários.
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