O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Novo Desenrola, que prevê descontos em dívidas de famílias, não atrapalhará o trabalho do Banco Central na luta contra a inflação. Ele também defendeu que a política fiscal do governo não é o principal fator de pressão sobre os juros.
Durigan ressaltou que até R$ 15 bilhões em garantias serão disponibilizados para viabilizar renegociações de dívidas e migrações para linhas de crédito mais baratas, reduzindo o comprometimento de renda. A medida chega a poucos meses das eleições de outubro.
Ele participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, e explicou que a primeira fase do Desenrola (2023-2024) buscou sanar dívidas antigas herdadas da pandemia. O ministro destacou que a nova rodada traz aprendizados, como facilitar o acesso às renegociações e evitar apostas online por participantes por um ano.
Desenrola: aprendizados e mudanças
O ministro afirmou que o programa original não foi suficiente diante da recuperação da taxa de juros, que revisou o endividamento. Segundo Durigan, as mudanças incluem facilidade de renegociação e regras mais rígidas para evitar fins não previstos no programa.
Ele disse ainda que entre maio e outubro é improvável que o Ministério da Fazenda apresente uma revisão de gastos, dada a necessidade de manter o equilíbrio fiscal durante o período eleitoral.
Relações institucionais e BC
Durigan afirmou manter contato com presidentes da Câmara e do Senado para avançar pautas de interesse econômico e evitar chamadas pautas bomba. Em relação ao STF, o ministro disse que a rejeição da indicação de Jorge Messias abalou as relações governo-Congresso, mas manteve o compromisso com uma agenda econômica estável.
O ministro ainda indicou que, após a rejeição, as indicações para as duas diretorias do Banco Central, vagas desde o início do ano, devem seguir prioridade, sem comentar detalhes.
Medidas com o petróleo e o Irã
Durigan disse acreditar que a guerra no Irã terá impactos além de maio, prazo atual de medidas emergenciais para mitigar a alta do petróleo. Caso haja prorrogações, as ações deverão respeitar um intervalo de dois meses, com ganhos de arrecadação com petróleo convertidos em reduções tributárias para atenuar o impacto do conflito.
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