O mundo depende de gás para a produção de alimentos. O Paraguai afirma ter encontrado um caminho com a barragem de Itaipu para reduzir esse elo vulnerável. A empresa britânica Atome autorizou a construção da fábrica Villeta, no Paraguai, com investimento de US$ 665 milhões, que substituirá combustíveis fósseis na produção de fertilizantes.
Villeta vai usar eletrólise para separar o hidrogênio da água, alimentando a produção de fertilizantes com energia renovável. A tecnologia evita o uso tradicional do gás natural na síntese de nitrogênio, reduzindo emissões associadas aos fertilizantes. O objetivo é tornar o processo mais limpo e menos dependente de gasodutos.
Para o CEO da Atome, o projeto não é apenas ambiental, mas sim uma questão de segurança alimentar global. A iniciativa surge em um momento de tensões no Oriente Médio, que afetam fluxos de gás natural e mercadorias, elevando preços e destacando riscos para exportadores agrícolas.
Contexto geopolítico e impactos
A dependência de fertilizantes nitrogenados do gás natural preocupa economias que importam grande parte desses insumos. Diversos analistas citam a importância de fontes estáveis para a produção agrícola global, principalmente diante de instabilidades regionais. A América Latina, apesar de ser produtora de alimentos, enfrenta vulnerabilidade à volatilidade de preços.
Especialistas indicam que a redução da dependência externa pode mitigar impactos de choques de oferta. O Paraguai, com a experiência de Itaipu, aparece como polo experimental para alternativas de energia e insumos agrícolas. O projeto Villeta é visto como uma tentativa de diversificar a matriz produtiva da região.
Ainda segundo fontes do setor, a adoção de tecnologia de hidrogênio verde pode exigir ajustes logísticos e de custo no curto prazo. A viabilidade econômica e a escalabilidade industrial são pontos em avaliação por investidores e governos. O debate permanece sobre como equilibrar preço, disponibilidade e sustentabilidade.
Entre na conversa da comunidade